terça-feira, 30 de agosto de 2011

Alvos civis e armas tóxicas: mais crimes em Gaza

 Classificado em Internacional - Solidariedade a Palestina -30/08/2011
Baby Siqueira Abrão*

Israel admitiu ter usado fósforo branco em 2006, contra o Líbano, e em 2008-2009, em Gaza. O problema é ainda mais grave porque vários metais muito tóxicos foram acrescentados às bombas de fósforo branco. Além de ferir, mutilar e matar pessoas no momento em que são aspirados ou tocam a pele, esses metais produzem mutações genéticas.
Carta Maior - 27/08/2011
A nova investida do governo israelense na Faixa de Gaza levanta algumas questões muito importantes. A primeira é o ataque a alvos civis, segundo documentou o Centro de Direitos Humanos Al-Mezan, de Gaza. Mísseis foram atirados diretamente sobre transeuntes e motoristas, matando-os e matando quem estava por perto. “Trata-se de execução sumária”, protestou o Al-Mezan. Casas, armazéns, plantações, sedes de ONGs e até uma estação de saneamento foram parcial ou totalmente destruídas.
Dessa vez, o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyhau, foi obrigado a reconhecer que suas forças armadas tinham passado do limite ao recomendar “ataques cirúrgicos” a alvos “militares”. Ele se referia a residências de líderes e campos de treinamento das brigadas palestinas que costumam lançar foguetes Qassam, de fabricação caseira, no sul de Israel. Se até Netanyhau, conhecido pelas posições extremistas e as soluções de força, fez esse tipo de indicação, imagine-se o caos em que se encontra a faixa costeira palestina.
A segunda questão diz respeito às substâncias químicas com que Israel fabrica bombas e mísseis atirados contra a população palestina.
Recentemente, líderes do comitê de luta popular de Al-Wallajah, vila de refugiados próxima a Belém, denunciaram o uso de um tipo de arma desconhecido, de cor preta e tamanho menor do que os cânisters comumente utilizados pelo exército sionista, que liberou um gás muito forte. Esses mesmos líderes viram os soldados israelenses pegarem os cilindros protegidos com luvas grossas e papelão. “É óbvio que eles não quiseram deixar nenhum cânister no terreno, para evitar que descobríssemos que substâncias havia ali dentro”, afirmou Mazin Qumsieh, ativista de direitos humanos e professor da Universidade de Belém.
No primeiro dia de 2011, elementos químicos desconhecidos misturados ao gás pimenta mataram Jawaher Abu Rahmah, 35, pacifista da vila de Bil’in, a 17 quilômetros de Ramallah, na Cisjordânia. Ela sofreu asfixia, ficou inconsciente e foi levada ao hospital, onde faleceu. Médicos que a atenderam desconfiaram de que, pelo conjunto de sintomas que Jawaher apresentou, e pela devastação orgânica causada pelo gás, possivelmente havia fósforo branco misturado a ele. O fósforo branco causa queimaduras profundas dentro e fora do corpo, e pode matar ao ser inalado. Seu poder tóxico e letal levou à proibição de seu uso pelas Convenções de Genebra.
Em 15 de maio deste ano, dia em que os palestinos rememoram a Nakba (catástrofe) – processo em que seu território foi tomado pelos sionistas de maneira violenta, por grupos paramilitares como Irgun e Stern –, os médicos do hospital de Ramallah alertaram para efeitos desconhecidos em ativistas atingidos por bombas de gás pimenta. Houve tontura, sangramento, confusão mental e paralisia temporária. Menos de uma semana depois eu mesma experimentei sintomas parecidos. Quando os soldados começaram a atirar bombas em nossa direção, na manifestação semanal de Bil’in, identifiquei um cheiro diferente, muito mais forte do que o gás costumeiro, e de imediato senti a cabeça pesar. Durante uma semana tive tonturas, cambaleei e fui tomada por um sono intenso, que me fazia dormir dias inteiros. Alertei outros manifestantes, e então soube que alguns – os mais expostos ao gás, como eu – haviam sofrido sintomas semelhantes aos meus.

Israel admitiu ter usado fósforo branco em 2006, contra o Líbano, e em 2008-2009, em Gaza. O problema é ainda mais grave porque vários metais muito tóxicos foram acrescentados às bombas de fósforo branco. Além de ferir, mutilar e matar pessoas no momento em que são aspirados ou tocam a pele, esses metais produzem mutações genéticas. Mais: ao contaminar o solo, o ar, a água e as construções, eles têm efeitos, a médio e longo prazos, ainda não estabelecidos. E sua mistura pode potencializar os danos.
Um dos metais utilizados é o urânio, radioativo, utilizado em usinas nucleares e na produção de bombas atômicas. Sua vida útil é de cerca de 4,5 bilhões de anos (urânio 238) e aproximadamente 700 milhões de anos (urânio 235).
Em Gaza, tecidos retirados de ferimentos das vítimas foram analisados e os resultados, divulgados em 11 de maio de 2010 pelo New Weapons Committee (NWRG), grupo de pesquisadores, acadêmicos e profissionais de mídia que estuda os efeitos das novas tecnologias de guerra. A mídia corporativa, como é de praxe, não noticiou. Com exceção de especialistas e pesquisadores, poucas pessoas souberam da existência dessa pesquisa e de seus resultados.
A nova investida de Israel em Gaza foi analisada por especialistas da NWRG com base em imagens de feridos transmitidas por uma estação de TV de Gaza em 19 de agosto de 2011. “Parece que estamos vendo as mesmas armas usadas em 2008”, concluíram os especialistas. Veja também:http://youtu.be/F9Oeo54lmtc (mas atenção: contém imagens fortes).

Leia, a seguir, a tradução do release do MWRG, feita por mim quando de seu lançamento. É aterrador. O original em inglês pode ser encontrado em http://www.newweapons.org/?q=node/113 e em http://www.newweapons.org/files/20100511pressrelease_eng.pdf . Os destaques são nossos.
“Metais tóxicos e cancerígenos, capazes de produzir mutações genéticas, foram encontrados nos tecidos dos feridos em Gaza durante as operações militares israelenses de 2006 e 2009. A pesquisa foi realizada em ferimentos provocados por armas que não deixam fragmentos nos corpos das vítimas, uma particularidade apontada pelos médicos em Gaza. Isso mostra que foram utilizadas armas experimentais, cujos efeitos ainda são desconhecidos.
Os pesquisadores compararam 32 elementos presentes nos tecidos utilizando o ICP/MS, um tipo de espectrometria de massa altamente sensível. O trabalho, realizado pelos laboratórios da Universidade Sapienza de Roma (Itália), da Universidade de Chalmers (Suécia) e da Universidade de Beirute (Líbano), foi coordenado pelo New Weapons Research Group (NWRG), comitê independente de cientistas e especialistas na Itália que estuda o uso de armas não convencionais e seus efeitos de médio prazo sobre a população de áreas atingidas por guerras. A presença de substâncias tóxicas e cancerígenas nos metais encontrados nos ferimentos é relevante e indica riscos diretos para os sobreviventes, além da possibilidade de contaminação ambiental.
Biópsias dos tecidos foram feitas pelos médicos do hospital Shifa, da cidade de Gaza, que selecionaram e classificaram os tipos de ferimentos. A pesquisa foi realizada em 16 amostras de tecidos, pertencentes a 13 vítimas. Quatro biópsias foram levadas a efeito em junho de 2006, durante a operação "Chuvas de verão", ao passo que as outras aconteceram na primeira semana de janeiro de 2009, durante a operação "Cast lead".
Todos os tecidos foram devidamente preservados e, em seguida, analisados pelas três universidades, separadamente.
Alguns dos elementos encontrados são cancerígenos (mercúrio, arsênio, cádmio, cromo, níquel e urânio); outros são potencialmente carcinogênicos (cobalto e vanádio); e há também substâncias que contaminam fetos (alumínio, cobre, bário, chumbo e manganês). Os primeiros podem produzir mutações genéticas, os segundos podem ter o mesmo efeito em animais (ainda não há comprovação em seres humanos), os terceiros têm efeitos tóxicos sobre pessoas e podem afetar também o embrião ou o feto em mulheres grávidas. Todos os metais, encontrados em quantidades elevadas, têm efeitos patogênicos em humanos, danificando os órgãos respiratórios, o rim, a pele, o desenvolvimento e as funções sexuais e neurológicas.
Paola Manduca, porta-voz do New Weapons Research Group, professora e pesquisadora de genética da Universidade de Gênova, comentou: ‘Ninguém ainda realizara análises bióticas em amostras de tecido de feridas. Concentramos nossos estudos nos ferimentos provocados por armas que, segundo os médicos de Gaza, não deixam fragmentos. Queríamos verificar a presença de metais na pele e na derme. Suspeitava-se que esses metais estivessem presentes nesse tipo de armas [que não deixam fragmentos], mas isso nunca tinha sido demonstrado. Para nossa surpresa, mesmo as queimaduras provocadas por fósforo branco contêm alta quantidade de metais. Além disso, a presença desses metais nas armas implica que eles se dispersaram no ambiente, em quantidades e com alcance desconhecidos, e foram inalados pelas vítimas e por aqueles que testemunharam os ataques. Portanto, constituem um risco para os sobreviventes e para as pessoas que não foram diretamente atingidas pelo bombardeio’.
A pesquisa segue dois estudos anteriores conduzidos pelo NWRG. O primeiro foi publicado em 17 de dezembro de 2009 e estabeleceu a presença de metais tóxicos em áreas ao redor das crateras provocadas pelo bombardeio israelense na Faixa de Gaza. O último foi publicado em 17 de março de 2010 e apontou a presença de metais tóxicos em amostras de cabelo de crianças palestinas de Gaza. Ambos apontam para a presença de contaminação ambiental, agravada pelas condições de vida naquele território, que propiciam o contato direto com o solo e, muitas vezes, a vida em abrigos expostos ao vento e à poeira, devido à impossibilidade de reconstruir as moradias, imposta pelo bloqueio israelense a Gaza, que impede a entrada de materiais de construção e das ferramentas necessárias para a reconstrução das casas.”
Trata-se de limpeza étnica, sem dúvida, a médio e a longo prazos. Daqui a bilhões de anos Gaza ainda sofrerá os efeitos dessas substâncias. Haverá alguém lá para testemunhar a tragédia?


*Jornalista, autora de diversos livros e pós-graduanda em Filosofia. Mora em Ramallah, Palestina, onde é correspondente do jornal Brasil de Fato.


Texto publicado originalmente na página do Partido Comunista Brasileiro

domingo, 24 de julho de 2011

A República Oligárquica Brasileira

Nasce a República


Em 15 de novembro de 1889, foi proclamada a República no Brasil, esse evento criado dentro dos quartéis, sob a lógica Positivista, nada mais foi do que um gingelo golpe de Estado aplicado em cima do já combalido imperador D.Pedro II. Na verdade, o velho imperador já havia passado do ponto, pois todos os países na América eram repúblicas, as oligarquias desejavam acessar o poder, a figura perpétua do rei, e do poder hereditário, não mais interessava até mesmo na Europa, esse modelo já se mostrava ultrapassado, tendo em vista a ascensão da burguesia, via poder econômico, logo, chegando ao poder político.É neste contexto que a República chega ao nosso país. Como por aqui, a burguesia ainda não tinha base sólida para impor seu projeto político, o novo sistema chega pelas mãos do Exército, pois após a vitória (nada honrosa) do Brasil sobre o Paraguai, o Exército cresceu em importância aos olhos da população. Os fazendeiros, também viam nos marechais uma saída lógica para a construção da tal nação brasileira, já que com os escravos libertos, e a entrada de muitos imigrantes para trabalharem por aqui, a “desordem” poderia se instalar pelas terras tupiniquins.
O primeiro presidente, Mal. Deodoro da Fonseca, meteu os pés pelas mãos na organização econômica, criando a Crise do Encilhamento, a primeira grave crise, de um país que viverá quase todo o seu período republicano entrando e saindo de crises econômicas. A lógica dos empréstimos desordenados, criado pelo então Min. da Fazenda, Rui Barbosa, causou especulação e roubalheira, dando um verdadeiro revertério nas contas públicas e na inflação. Quem pagou a conta? Adivinha? O povo é claro!
Após o escândalo do Encilhamento, a governabilidade do Mal. Deodoro ficou encurralada entre a crise e a crítica, como todo militar que se preze resolveu responder as críticas com mão de ferro e fechou o congresso. Prato feito para a oposição o derrubar do poder, colocando o vice, Mal. Floriano Peixoto, esse sim com o apelidinho carinhoso de Mal. de Ferro.
O Brasil atravessava o seu pior momento político, na recém nascida República. A Marinha (conhecida como Armada), que tinha perdido o grande prestígio dos tempos do Império, tornara a principal opositora dos desmandos republicanos, assim liderados pelo almirante Saldanha da Gama, em novembro de 1893, posicionaram seus navios de guerra na Baía de Guanabara, apontando os canhões para o Rio de Janeiro e Niterói, era o início da Revolta da Armada. Em, março de 1894, sem apoio da população, a revolta foi sufocada, parte dos revoltosos seguiu para Portugal e outra parte para o Rio Grande do Sul, para apoiar a guerra civil que tinha se iniciado por lá, a chamada Revolução Federalista.
A Revolução Federalista foi motivada pela falta de apoio e insatisfações generalizadas com o governo federal. Sob a liderança de Gaspar da Silveira Martins, reivindicavam a revisão na Constituição, o sistema federativo e o parlamentarismo. O ponto mais alto da revolta se deu no final de 1893, quando os federalistas, tomaram a Ilha do Desterro, no decorrer de 1894, os federalistas avançaram sobre o Paraná, tomando Curitiba.
Mal. Floriano Peixoto, usando de toda força repressiva possível, incluindo torturas e execuções sumárias, conseguiu sufocar a revolução em meados de 1895. Para demonstrar sua força política, após a capitulação de Santa Catarina, a Ilha do Desterro, capital do estado, é rebatizada como Florianópolis.
Mesmo tendo sufocado as duas rebeliões mesmo que na base do banho de sangue, a posição de Floriano não era das melhores, e sob forte pressão da elite agrária, é eleito em 1894, o primeiro presidente civil da república, Prudente de Moraes, inaugurando a chamada República Café com Leite. Agora sim, a elite agrária se colocará no poder, e nele permanecerá até 1930.

A República Café com Leite
A origem do termo vem dos dois estados brasileiros que manipularam a política deste período, São Paulo grande produtor e exportador de café, e Minas Gerais produtora e exportadora de leite. Neste momento da nossa república, o povo que nunca tivera participação ativa no processo político, agora estará mais alijado do que nunca das atividades e necessidades políticas.
Para manter o poder concentrado nesses dois estados, eram necessários alguns mecanismos, pois os outros setores agrários exportadores não participavam diretamente nas indicações dos presidentes. Para que os coronéis, principalmente do norte e nordeste, não atrapalhassem os interesses do sudeste brasileiro, foi criado o mecanismo que passou a ser conhecido como Política dos Governadores.
A Política dos Governadores, consistia na troca de favores e alianças políticas entre as oligarquias locais e o governo central. Os coronéis indicavam seus governadores de estado e prefeitos nos municípios e recebiam o apoio do governo federal. Desta forma a troca de favores políticos estava fechada entre os grandes latifundiários brasileiros e a presidência da república. Para tanto era necessário manter dois eixos: o coronelismo e o clientelismo.
Para garantir que os governadores conseguissem eleger os deputados favoráveis ao governo central, era fechado alianças com os grandes proprietários rurais - coronelismo. Os coronéis, através da influência que exerciam sobre a população pobre obtinham os votos necessários.
Essa prática ficou conhecida como coronelismo, e só era possível por conta do voto não ser secreto e do uso aberto da violência no campo. Mas não era só a violência que exercia força, os coronéis também faziam pequenos favores, tais como: roupas, dentaduras,internações em hospitais na região – clientelismo.
Na manutenção desta prática elitista e excludente, foi fundamental, o uso do voto de cabresto. Por conta do voto não ser secreto, os eleitores eram facilmente coagidos a votarem nos candidatos escolhidos pelo coronel. O voto de cabresto tornou-se uma prática tão comum, no interior do país, que ainda hoje, é largamente usado, principalmente em pequenos municípios ainda controlados pelos grandes latifundiários.




Charge sobre o processo eleitoral brasileiro dentro da ótica da Política dos Governadores
As desigualdades e os conflitos sociaisA primeira vista, podemos pensar que o povo brasileiro era passivo a todo tipo de exclusão social, porém não foi à passividade marco deste período entre as classes populares e excluídas da grande festa republicana. Na primeira fase da República, as Revolta da Armada e a Revolução Federalista mostram que nem tão passivo era o povo brasileiro. Na República dos coronéis, o povo excluído também se manifestará em grandes revoltas e em guerras civis.
Na Bahia entre 1896-1897, eclode a Guerra de Canudos. Como entender essa resistência do sertanejo pobre e excluído de um sistema político oligárquico?
Na verdade a Guerra de Canudos, foi uma resposta clara da população sertaneja nordestina a injusta situação latifundiária, a concentração de terras nas mãos de algumas famílias , pelo predomínio do latifúndio improdutivo,o descaso do governo em relação às necessidades básicas do trabalhador rural. Entendo, a situação de Canudos, como uma resposta clara das populações marginalizadas a seu direito de existir. Percebo que A Guerra Civil na Bahia, foi sim, um momento que o sertanejo, trocou a morte pela fome/miséria, pelo direito de se sentir gente e lutar por algo que acreditava ser deles por direito. Até mesmo, o jornalista, conservador e favorável a teoria do branqueamento, Euclides da Cunha, aponta no livro Os Sertões, a força de luta do sertanejo pelo seu espaço, e critica a feroz repressão a este movimento por parte do governo, que nunca quis ver as necessidades desse povo.

Canudos foi barbaramente aniquilado, a degola foi largamente usada para não se fazer prisioneiros, entre os sertanejos. O local da luta extinto pelas águas da Barragem de Cocorobó, no auge do Milagre Econômico, teve papel fundamental em apagar os vestígios da primeira tentativa real de justiça agrária no Brasil.
Se no campo a situação era deplorável, nos centros urbanos não era melhor para as classes excluídas do sistema oligárquico. No Rio de Janeiro, em 1904, a população marginalizada que já sofria a exploração do sistema capitalista, nas primeiras fábricas que começavam a chegar. Salários muito baixos, nenhuma regulamentação trabalhista que desse o menor apoio aos trabalhadores, mulheres e crianças expostas a longas jornadas de trabalho. Esse é o cenário para que o prefeito Pereira Passos, adotasse a reforma urbana na cidade.
O Rio de Janeiro, sempre foi um problema a parte, cidade estreita, espremida entre o mar e a montanha inchada com o crescente número de imigrantes que por aqui chegavam, além de alocar também os negros que agora libertos necessitavam de moradia. Aliando aos baixos salários e necessidade de morar, os cortiços e casas de cômodos foram às opções que restaram para esses pobres. Porém, a cidade civilizava-se e não era possível manter esse bando de pobres nos locais mais nobres da cidade. Desta forma, o centro e os bairros de Botafogo, Flamengo e Catete, sofreram a reforma adotada pelo prefeito, que faria do Rio de Janeiro uma espécie de sucursal da França.
Como para pobre desgraça nunca vem sozinha, além de perder seu espaço de moradia, o médico sanitarista, Oswaldo Cruz, lança a campanha de vacinação obrigatória contra a varíola, caça-se ratos para combater a peste bubônica e a leptospirose. Só esqueceram de esclarecer ao povo sobre a necessidade de vacinação. Oras, num governo que nunca ofereceu nada à população, e ainda vem impor a introdução de algo estranho no organismo sem devida explicação? Não podia dar certo de jeito nenhum!
Dentro desse quadro caótico, se dá a Revolta da Vacina, momento em que a população carioca se colocou na rua , não só contra a vacina mas também contra toda injustiça promovida pela república excludente e elitista deste período.




Charge da Revista O Malho -Revolta da Vacina RJ/1904
Como a situação social não se alterava, as convulsões continuavam, no Rio de Janeiro em 1910, mais um levante acontece, desta vez dentro da própria Marinha. Força Armada que desde a época do Império era elitista, a Marinha teve problemas sérios na aceitação de negros nos seus quadros, e foram instituídos castigos corporais aos marinheiros de baixa patentes, e principalmente aos elementos da etnia negra. Desta forma para cada erro ou falta eram aplicadas entre 10 a 50 chibatadas no infrator.
Liderados por João Cândido, os marinheiros iniciaram uma revolta contra os castigos corporais, era a Revolta da Chibata. Neste levante, os marinheiros tomaram dois navios de guerra e ameaçaram bombardear a cidade. O governo tratou de negociar com os revoltosos, prometendo anistia e fins dos castigos, mas tão logo os marinheiros depuseram armas, foram presos, torturados, e exilados no Acre.

Grupo de marinhos rebeldes na Revolta da Vacina 1910
Na esteira da falta de espaço social, a população brasileira continua sua resistência, entre 1914-1916, desta vez no sul ocorre mais uma guerra civil, A Guerra do Contestado.

Região pertencente ao Paraná, mas contestada por Santa Catarina. Com uma população formada de pequenos proprietários e posseiros de terra, cuja cultura econômica se baseava na extração de madeira e cultivo de erva-mate. Não havia infra-instrutura, tais como: hospitais e escolas e esta carência era suprida pelos monges messiânicos. Daí ser também, a Guerra do Contestado, classificada de Movimento Messiânico.

Essas terras são oferecidas pelo governo a grandes empresas estrangeiras se instalaram na região. A Cia Brazil Railway (estrada de ferro) e a Southern Lumber (serralheria), ambas eram do mesmo dono, o empresário norte americano Farquhad, que expulsava os colonos para ocupar suas terras e construir a estrada de ferro que atenderia ao escoamento do café vindo de São Paulo. Claro, beneficiando os cafeicultores.

Na resistência a essa manobra, os colonos e posseiros liderados pelo monge José Maria, iniciam a guerra pela manutenção de seu espaço vital. O conflito se estendeu até 1916, quando numa clara demonstração de força, o governo usa aviões para bombardear os rebeldes. Milhares são mortos, presos e exilados


Combatentes na Guerra do Contestado 1914-1916
A Formação da classe operária e os embates entre poder e viver
O crescimento urbano e o avanço da industrialização tiveram como conseqüência a formação da classe operária no Brasil. Formada essencialmente por imigrantes italianos.
No Brasil, assim como em todos os países industrializados da época, não havia regulamentação do trabalho, as longas e exaustivas jornadas que chegavam às 18h diária, salários baixos, falta de suporte à saúde, locais de trabalho insalubres, nenhuma remuneração em caso de acidente ou direito a aposentadoria,alia-se também a alta inflação que corroia a vida do trabalhador. Nestas condições nascem as primeiras organizações sindicais, com o objetivo de ajuda mútua e luta por melhor condição de vida e trabalho. A influência anarquista vinda dos italianos e espanhóis e depois o comunismo vão dar base ideológica ao início da luta dos trabalhadores no Brasil.
Em 1906, é fundada a COB (Confederação Operária Brasileira), de orientação anarquista. Em 1917, sob inspiração da Revolução Russa, ocorre em São Paulo, à primeira greve aonde várias categorias profissionais aderiram. No ano seguinte, com a I Guerra o poder de compra dos trabalhadores despencou e nova onda de greves explodiu no eixo Rio-São Paulo.
Para o governo e patrões, as convulsões sociais eram caso de polícia, e esta reprimia com bastante violência a luta dos trabalhadores. Desta forma é aprovada a Lei Adolfo Gordo, que previa a expulsão de trabalhadores estrangeiros envolvidos em movimentos sindicais.
Somente na década de 1920, alguns ganhos vieram para os trabalhadores, o Congresso Nacional aprovou algumas leis sociais, que previam a limitação da jornada de trabalho infantil, férias e a formação de um sistema de aposentadoria. Porém somente com a chegada de Getúlio Vargas ao poder em 1930, essas leis foram realmente postas em prática, assim como a chegada da Carteira de Trabalho e a criação do Ministério do Trabalho, que mesmo amordaçado por Vargas, regulamentou as normas trabalhistas no Brasil.


Trabalhadores em greve SP- 1912

Banditismo Social: Cangaço
Entre o final do século XIX e começo do XX (início da República), surgiu, no nordeste brasileiro, grupos de homens armados conhecidos como cangaceiros. Estes grupos apareceram em função, principalmente, das péssimas condições sociais da região nordestina. O latifúndio, que concentrava terra e renda nas mãos dos fazendeiros, deixava às margens da sociedade a maioria da população. Esse fenômeno social inicia-se por volta de 1870 e perdurou até 1940 ficou conhecido como banditismo social.

O banditismo social não foi um fenômeno exclusivamente brasileiro. Ele apareceu em muitas regiões do mundo que tinham características semelhantes às do nordeste brasileiro, como na Sicília (Itália), Ucrânia e na América espanhola. Em grande parte, o banditismo social foi, como Canudos e o Contestado, uma reação do tradicionalismo rural ao avanço do capitalismo. O bandido social diferia do bandido comum por sua origem. Em geral, tornava-se um "fora-da-lei" como resposta às injustiças e perseguições que sofria. Por isso, era objeto de admiração pela comunidade, que, não raro, engrandecia seus feitos de coragem e valentia. Apesar disso, diferentemente do revolucionário, o bandido social não era necessariamente contra os dominantes, nem era portador de projetos de transformação social. O seu prestígio vinha do fato de apresentar-se como porta-voz da resistência de um mundo em dissolução.

Origem do cangaço – Desde o século XVIII, com o deslocamento do centro dinâmico da economia para o sul do Brasil, as desigualdades sociais do nordeste se agravaram. Entretanto, no sertão, onde predominava a pecuária, consolidou-se uma forma peculiar de relação entre os grandes proprietários e seus vaqueiros. Entre eles, estabeleceu-se laços de compadrio (tornavam-se compadres), cuja base era a relação de fidelidade do vaqueiro ao fazendeiro, com este dando proteção em troca da disponibilidade daquele em defender, de armas na mão, os interesses do seu patrão. Os conflitos eram constantes, devido à imprecisão dos limites geográficos entre as fazendas e às rivalidades políticas, transformadas em verdadeiras guerras entre poderosas famílias. Cada uma destas fazia-se cercar de jagunços (capangas) e de cabras (trabalhadores que ajudavam na defesa), formando verdadeiros exércitos particulares.

Nos últimos anos do Império, depois da grande seca de 1877-1879, com o agravamento da miséria e da violência, começaram a surgir os primeiros bandos armados independentes do controle dos grandes fazendeiros. Contudo, somente na República o cangaço ganhou a forma conhecida, com Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, que aterrorizou o nordeste de 1920 a 1938. Havia uma razão para esse fato. Com a proclamação da República em 1889, implantasse no Brasil o regime federalista, que concedeu uma ampla autonomia às províncias, fortalecendo as oligarquias regionais. O poder dessas oligarquias regionais de coronéis se fortaleceu ainda mais com a política dos governadores iniciada por Campos Sales (1899-1902). O poder de cada coronel era medido pelo número de aliados que tinha e pelo tamanho de seu exército particular de jagunços.

Esse fenômeno era comum a todo o Brasil, mas nos estados mais pobres, como Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, os coronéis não eram suficientemente ricos e poderosos para impedir a formação de bandos armados independentes. Foi nesse ambiente que nasceu e prosperou o bando de Lampião, por vol¬ta de 1920, coincidindo o seu surgimento com a crise da República Velha. Depois da morte de Lampião, em 1938, nenhum outro bando veio ocupar o seu lugar. Com o fim da República Velha em 1930, encerrava-se também a era do cangaço.



Movimento Tenentista
A década de 1920 foi em especial turbulenta para o Brasil. Após a Revolução Russa de 1917, e a Primeira Guerra Mundial 1914-1918, intelectuais brasileiros começaram a criticar a forma de organização política do país, em especial as fraudes gritantes nos processos eleitorais. O setor que mais atacava esta estrutura política foram os militares de baixa e média oficialidade, os tenentes e capitães,dando origem ao movimento tenentista.
A primeira revolta tenentista se deu no Rio de Janeiro, em 1922 quando os rebeldes tomaram o Forte de Copacabana. Epitácio Pessoa, presidente da época com o auxilio da Marinha, bombardeou o Forte. 17 tenentes resistiram armados saíram do Forte com armas nas mãos rumo ao Palácio do Governo, um civil juntou-se a eles. As forças leais ao governo abriram fogo, sobrando apenas dois resistentes: Siqueira Campos e Eduardo Gomes. Esse episódio ficou conhecido como Os Dezoito do Forte.

Em 1924, um novo levante desta vez em São Paulo. Após derrubarem o governo do estadual, os tenentes paulistas tentaram unificar o movimento no país inteiro, com o objetivo de derrubar o presidente Arthur Bernardes. As forças leais bombardearam a cidade de São Paulo, acuados os revoltosos marcharam para Foz do Iguaçu.

No Rio Grande do Sul, tenentes e capitães tomam quartéis em várias cidades do interior, Luís Carlos Prestes liderou uma coluna militar da cidade de Santo Ângelo até Foz de Iguaçu, juntando-se aos rebeldes paulistas. Ao se encontrarem em 1925, nasce a Coluna Prestes.

Com o objetivo de mobilizar todo o país, a Coluna com cerca de 1.500 homens percorrem 25 mil quilômetros e 13 estados, conhecem a miséria do interior e fazem contato com cangaceiros. Em 1927, sem nunca sofrer ataque aberto do governo, a Coluna se desfaz em território boliviano. Luís Carlos Prestes, recebe o apelido de Cavaleiro da Esperança. Segue para URSS, voltando ao Brasil somente em 1934, com o objetivo de promover a Revolução Comunista.

Combatentes da Coluna Prestes 1925-1927

 A Crise de 1929 e o fim da República Café com Leite
A produção acelerada dos norte-americanos e a redução de consumo por parte dos europeus a partir de 1922, quando a Europa retoma seu crescimento, vão gerar a primeira grande crise do capitalismo mundial, a Crise de 1929 ou a Grande Depressão.
O Brasil, país agrário exportador não poderia passar incólume desta crise. Os mecanismos utilizados para beneficiar os fazendeiros, tais como o Convênio Taubaté, que consistia na compra do produto pelo governo para pressionar a alta na exportação, não tinham condição de ser utilizado neste momento. O mundo não estava interessado em café, em meio a tantas falências e desemprego.
É neste contexto que Washington Luís, ultimo presidente desta fase, tenta impor o nome de Julio Prestes para a presidência, outro paulista o que quebrou o acordo com Minas, já que era hora do estado apontar o nome para o cargo. A oligarquia mineira aliou-se aos descontentes do Sul, que haviam formado a Aliança Liberal,cujo nomes para concorrer à presidência eram Getúlio Vargas e João Pessoa.
A vitória fraudulenta de Julio Prestes provocou uma onda de manifestações e protestos, em julho de 1930, João Pessoa é assassinado, o crime nada tem a ver com política, e sim por conta de disputas amorosas. Porém, a Aliança Liberal utilizou o crime como instrumento político, agravando ainda mais as convulsões sociais.
Com apoio dos militares,as tropas rebeldes começaram a se movimentar rumo à Capital, Julio Prestes que estava na França não retornou ao Brasil. São Paulo com um número elevado de rebeldes apoiou Minas e Rio Grande do Sul. Assim, em 3 de novembro de 1930, Washington Luís é deposto e Getúlio Vargas Chega triunfante ao governo provisório, do qual só sairá em 1945.....Mas isso são outras histórias.
Podemos concluir que a nossa República nasceu, cresceu e se formatou de forma elitista e excludente. Não houve em nenhum momento da história republicana brasileira um real olhar para as necessidades básica do seu povo. Mesmo agora, que temos um Partido tido de esquerda no poder, as estruturas baseadas nas fraudes, ganhos ilícitos e corrupção não mudaram. O povo brasileiro, hoje segue, acolhendo favores populistas, tais como “Bolsas” disso e daquilo, mas sua dignidade em quanto povo, continua aviltada pelos donos reais do poder. As oligarquias burguesas que imperam no país.


Bibliografia:
CANGAÇO-HISTORIA DO MUNDO – http://www.historiamundo.com.br
CENTRO DE ESTUDOS EUCLIDES DA CUNHA, Os Sertões; www.uneb.br/ceec/ceec/html
PRIMEIRAS REBELIÕES NO BRASIL REPUBLICANO – http://www.cuturabrasil.org
PELLEGRINI, Marco Cesar. Novo Olhar História/Adriana Machado Dias e Keila Grinberg;1° edição,São Paulo: FTD-2010
VICENTINO, Claudio e DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil;1° edição,São Paulo: Ed. Spione, 2011



Por: Denise Oliveira/Julho 2011










sábado, 21 de maio de 2011

Os Donos do Sistema-O Poder Oculto:De onde nasce a impunidade de Israel

PODER OCULTO: DE ONDE NASCE A IMPUNIDADE DE ISRAEL


(IAR Noticias) ARGENTINA Junho-2010
A grande cumplicidade internacional com os massacres periódicos israelenses não se gesta por medo de Israel, senão por medo do que representa o Estado judeu. Israel é o símbolo mais emblemático, a pátria territorial do sionismo capitalista que controla o mundo sem fronteiras desde os diretórios dos bancos e corporações transnacionais. Israel, basicamente, é a representação nacional de um poder mundial sionista que é o dono do Estado de Israel tanto como do Estado norte-americano, e do resto dos Estados com seus recursos naturais e sistemas econômico-produtivos. O que controla o planeta desde os bancos centrais, as grandes cadeias midiáticas e os arsenais nucleares militares.
Por Manuel Freytas (*)
manuefreytas@iarnoticias.com


A) O poder oculto


Israel é a mais clara referência geográfica do sistema capitalista transnacionalizado que controla desde governos até sistemas econômicos produtivos e grandes meios de comunicação, tanto nos países centrais como no mundo subdesenvolvido e periférico.
O Estado judeu, mais além de sua incidência como Nação, é o símbolo mais representativo de um poder mundial controlado em seus espaços decisivos por grupos minoritários de origem judia e conformado por uma estrutura de estrategistas e tecnocratas que operam as redes industriais, tecnológicas, militares, financeiras e midiáticas do capitalismo transnacional espalhado pelos quatro pontos cardeais do planeta.
Com uma população ao redor de 7,35 milhões de habitantes, Israel é o único estado judeu do mundo.
Porém, quando falamos de Israel, falamos (por extensão) da referência mais significativa de um sistema capitalista globalizado que controla governos, países, sistemas econômicos produtivos, bancos centrais, centros financeiros, arsenais nucleares e complexos militares industriais.
Quando falamos de Israel, falamos antes de mais nada de um desenho estratégico de poder mundial que o protege, interativo e totalizado, que se concretiza mediante uma rede infinita de associações e vasos comunicantes entre o capital financeiro, industrial e de serviços.
O lobby sionista que sustenta e legitima a existência de Israel não é um Estado no distante Oriente Médio, senão um sistema de poder econômico planetário (o sistema capitalista) de bancos e corporações transnacionais com judeus dominando a maioria dos pacotes acionários ou hegemonizando as decisões gerenciais desde postos diretivos e executivos.
Quem se der ao trabalho de investigar o nome dos integrantes das diretorias ou dos grandes acionistas das grandes corporações e bancos transnacionais estadunidenses e europeus que controlam desde o comércio exterior e interior até os sistemas econômicos produtivos dos países, tanto centrais como "subdesenvolvidos" ou "emergentes", poderá facilmente comprovar que (em uma importante maioria) são de origem judia.
As direções e acionistas das primeiras trinta megaempresas transnacionais e bancos (as maiores do mundo) que cotizam o índice Dow Jones de Wall Street são em sua maioria de origem judia.
Megacorporações do capitalismo sem fronteiras como: Wal-Mart Stores, Walt Disney, Microsoft, Pfizer Inc, General Motors, Hewlett Packard, Home Depot, Honeywell, IBM, Intel Corporation, Johnson & Johnson, JP Morgan Chase, American International Group, American Express, AT & T, Boeing Co (armamentista), Caterpillar, Citigroup, Coca Cola, Dupont, Exxon Mobil (petroleira), General Electric, McDonalds, Merck & Co, Procter & Gamble, United Technologies, Verizon, são controladas e/ou gerenciadas por capitais e pessoas de origem judia.
Estas corporações representam o creme do creme dos grandes consórcios transnacionais sionistas que, através do lobby exercido pelas embaixadas estadunidenses e européias, ditam e condicionam a política mundial e o comportamento dos governos, exércitos ou instituições mundiais oficiais ou privadas.
São os donos invisíveis do planeta: os que manejam os países e presidentes por controle remoto, como se fossem títeres de última geração.
Quem investigue com este mesmo critério, ademais, os meios de comunicação, a indústria cultural ou artística, câmaras empresariais, organizações sociais, fundações, organizações profissionais, ONGs, tanto nos países centrais como periféricos, vai se surpreender com a notável incidência de pessoas de origem judia em seus mais altos níveis de decisão.
As principais cadeias televisivas dos USA (CNN, ABC, NBC e Fox), os principais diários (The Wall Street Journal, The New York Times e The Washington Post) estão controlados e gerenciados (através de grupos de acionistas ou de famílias) por grupos do lobby judeu, principalmente novayorquino.
Da mesma forma as três mais influentes revistas (Newsweek, Time e The New Yorker), e consórcios hegemônicos da Internet como Time-Warner (fundidos com América on Line) e Yahoo estão controlados por gerenciamento e capital judeu que opera a nível de redes e conglomerados entrelaçados com outras empresas.
Colossos do cinema como Hollywood e do espetáculo como The Walt Disney Company, Warner Brothers, Columbia Pictures, Paramount, 20th Century Fox, entre outros, formam parte desta rede interativa do capital sionista imperialista.
A concentração do capital mundial em mega-grupos ou mega-companhias controladas pelo capital sionista, em uma proporção aplastante, possibilita decisões planetárias de todo o tipo, na economia, na sociedade, na vida política, na cultura, etc., e representa o aspecto mais definido da globalização imposta pelo poder mundial do sistema capitalista imperial.
O objetivo central expansivo deste capitalismo sionista transnacionalizado é o controle e o domínio (por meio de guerras de conquista ou de "sistemas democráticos") de recursos naturais e sistemas econômico-produtivos, em um sistema que seus defensores e teóricos chamam "políticas de mercado".
O capitalismo transnacional, em escala global, é o dono dos Estados e de seus recursos e sistemas econômico-produtivos, não somente do mundo dependente, senão também dos países capitalistas centrais.
Portanto, os governos dependentes e centrais são gerências (pela esquerda ou direita) que, com variantes discursivas, executam o mesmo programa econômico e as mesmas linhas estratégicas de controle político e social.
Este capitalismo transnacional "sem fronteiras" do lobby sionista que sustenta o Estado de Israel se assenta em dois pilares fundamentais: a especulação financeira informatizada (com assento territorial em Wall Street) e a tecnologia militar-industrial de última geração (cuja máxima de desenvolvimento se concentra no Complexo Militar Industrial dos USA).
O lobby sionista internacional, sobre o qual se assentam os pilares existenciais do Estado de Israel, controla desde governos, exércitos, polícias, estruturas econômicos produtivas, sistemas financeiros, sistemas políticos, estruturas tecnológicas e científicas, estruturas socioculturais, estruturas midiáticas internacionais, até o poder de polícia mundial assentado sobre os arsenais nucleares, os complexos militares industriais e os aparatos de deslocamento militar dos USA e das potências centrais.
A esse poder, e não ao Estado de Israel, é o que temem os presidentes, políticos, jornalistas e intelectuais que calam ou deformam diariamente os genocídios de Israel no Meio Oriente temerosos de ficarem sepultados em vida, sob a lápide do "anti-semitismo".


B) O lobby imperial


O lobby sionista pró-israelense, a rede de poder oculto que controla a Casa Branca, o Pentágono e o Banco Central não reza nas sinagogas senão na Catedral de Wall Street. Um detalhe a ter em conta, para não confundir a religião com o mito e com o negócio.
Quando se referem ao lobby sionista (ao que denominam de lobby pró-israel) a maioria dos expertos e analistas falam de um grupo de funcionários e tecnocratas, em cujas mãos está o desenho e a execução da política militar norte-americana.
A este lobby de pressão se atribui o objetivo estratégico permanente de impor a agenda militar e os interesses políticos e geopolíticos do governo e do Estado de Israel na política exterior dos USA.
Como definição, o lobby pró-israel é uma gigantesca maquinaria de pressão econômica e política que opera simultaneamente em todos os estamentos do poder institucional estadunidense: Casa Branca, Congresso, Pentágono, Departamento de Estado, CIA e agências da comunidade de inteligência, entre os mais importantes.
Por meio da utilização de seu poder financeiro, de sua estratégica posição nos centros de decisão, os grupos financeiros do lobby exercem influência decisiva na política interna e externa dos USA, a primeira potência imperial, além de seu papel dominante no financiamento dos partidos políticos, dos candidatos presidenciais e dos congressistas.
A nível imperial, o poder financeiro do lobby se expressa principalmente por mio do Banco Central dos USA, um organismo chave para a concentração e reprodução do capital especulativo a nível planetário.
O coração do lobby sionista estadunidense é o poderoso setor financeiro de Wall Street que tem direta implicação e participação na nomeação de funcionários chaves do governo dos USA e dos órgãos de controle da política monetária e instituições creditícias (nacional e internacional) com sede em Washington e Nova York.
Os organismos econômicos financeiros internacionais como a OCDE, o Banco Mundial, o FMI, estão sob o controle direto dos bancos centrais e dos governos dos USA e das potências controladas pelo lobby sionista internacional (Grã Bretanha, Alemanha, França, Japão, entre as mais relevantes).
Organizações e alianças internacionais como a ONU, o Conselho de Segurança e a OTAN estão controladas pelo eixo sionista USA-União Européia, cujas potências centrais são as que garantem a impunidade dos extermínios militares de Israel no Meio Oriente, como sucedeu com o último massacre de ativistas solidários com o povo de Gaza.
As principais instituições do lobby (Goldman Sachs, Morgan Stanley, Lehman Brother, etc.) e os principais bancos (Citigroup, JP Morgan e Merrill Lynch, etc.) influem decisivamente para a nomeação dos titulares do Banco Central, o Tesouro, e a secretaria de Comércio, ademais dos diretores do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.


C) O mito do "anti-semitismo"


É este fenômeno de "poder capitalista mundial judeu", e não a Israel, que temem os presidentes, políticos, jornalistas e intelectuais que evitam tremulamente condenar ou nomear os periódicos genocídios militares de Israel em Gaza, repetindo o que já fizeram durante o massacre israelense no Líbano em 2006.
A grande cumplicidade internacional com os massacres periódicos israelenses não se gesta por medo do Estado de Israel, senão por medo do que representa o Estado de Israel.
Não se trata de Israel, senão do "Grande Israel", a pátria do judaísmo mundial (com território roubado dos palestinos), da qual todos os judeus do mundo se sentem seus filhos pródigos dispersos pelo mundo.
Não se trata de Israel, senão das poderosas organizações e comunidades judias mundiais que apoiaram em bloco o genocídio militar de Israel em Gaza, que utilizam seu poder e "escala de prestígio" (construída mediante sua vitimização histórica com o Holocausto) para converter em um leproso social aquele que se atreva a criticar ou levantar a voz contra o extermínio militar israelense em Gaza.
Não temem o Estado de Israel, senão aos filhos de Israel camuflados nos grandes centros de decisão do poder mundial, sobretudo econômico-financeiros e midiático-culturais.
Os políticos, intelectuais e jornalistas do sistema não temem Israel, senão que temem aos meios de comunicação, organizações e empresas judias, e sua influência sobre os governos e processos econômico-culturais do sistema capitalista sionista apoiados por todos os países em escala planetária.
Definitivamente, temem que as empresas, as universidades, as organizações e as fundações internacionais sionistas que financiam e/ou promovem suas ascensões e postos na maquinaria do sistema os declarem "anti-semitas" e os deixem sem trabalho.
Essa é a causa principal que explica porque os intelectuais, acadêmicos e jornalistas do sistema vivem elucubrando sérias análises da "realidade" política, econômica e social sem a presença da palavra judeu ou do sistema capitalista que paga por seus serviços.
Se bem que há um grupo de intelectuais e de militantes judeus de esquerda (dentre eles Chomsky e Gelamn, entre outros) que condenaram e protestaram contra o genocídio israelense em Gaza, a maioria considerável das comunidades e organizações judias em escala planetária apoiou explicitamente o massacre de civis em Gaza argumentando que se tratava de uma "guerra contra o terrorismo".
Apesar de que Israel não invadiu nem perpetrou um genocídio militar em Gaza com a religião judia, senão com aviões F-16, bombas de rácimo, helicópteros Apache, tanques, artilharia pesada, barcos, sistemas informatizados, e uma estratégia e um plano de extermínio militar em grande escala, quem questione esse massacre é condenado por "anti-semita" pelo poder judeu mundial distribuído pelo mundo.
Apesar de que o lobby judeu sionista que controla Israel, tanto como a Casa Branca, o Tesouro e o Banco Central dos USA não rezam nas sinagogas senão na Catedral de Wall Street, aquele que critique é alcunhado de imediato como "anti-semita" ou "nazi" pelas estruturas midiáticas e culturais controladas pelo poder judeu mundial.
As campanhas de denúncia de anti-semitismo com as quais Israel e as organizações judias buscam neutralizar as críticas contra o massacre, abordam a questão como se o sionismo judeu (sustentáculo do Estado de Israel) fosse uma questão "racial" ou religiosa, e não um sistema de domínio imperial que abarca interativamente o plano econômico, político, social e cultural, superando a questão da raça ou das crenças religiosas.
O lobby sionista não controla o mundo com a religião: o maneja com bancos, transnacionais, hegemonia sobre os sistemas econômico-produtivos, controle sobre os recursos naturais, controle da rede informativa e de manipulação mundial, o manejo dos valores sociais através da publicidade, a cultura e o consumo estandardizado e globalizado pelos meios de comunicação


Em resumo:


O lobby sionista que protege o Estado de Israel (pela "direita" e pela "esquerda") está conformado por uma estrutura de estrategistas e tecnocratas que operam as redes industriais, tecnológicas, militares, financeiras e midiáticas do capitalismo transnacional estendido pelos quatro pontos cardeais do planeta.
Suas redes se expressam através de uma multiplicidade de organizações dedicadas a promover o atual modelo global, entre as quais se encontram principalmente: The Hudson Institute, The RAND Corporation, The Brookings Institution, The Trilateral Commission, The World Economic Forum, Aspen Institute, American Enterprise Institute, Deutsche Gesellschaft für Auswärtigen Politik, Bilderberg Group, Cato Institute, Tavestock institute, e a Carnegie Endowment for International Peace, entre outras.
Todos estes think tanks ou "bancos de cérebros" reúnem os melhores tecnocratas, cientistas e estudiosos em seus respectivos campos, egressos das universidades dos USA, Europa e todo o resto do mundo.
O lobby não somente está na Casa Branca, senão que abarca todos os níveis das operações do capitalismo em escala transnacional, cujo desenho estratégico está na cabeça dos grandes charmans e executivos de bancos e consórcios multinacionais que se sentam no Consenso de Washington e repartem o planeta como se fosse uma pizza.
Enquanto não se articule um novo sistema de compreensão estratégica (uma "terceira posição" revolucionária do saber e do conhecimento) o poder mundial que controla o planeta seguirá perpetuando-se nas falsas opções de "esquerda" e "direita".
E o lobby judeu de "direita" dos republicanos conservadores seguirá sucedendo ao lobby judeu "de esquerda" dos democratas liberais em uma continuidade estratégica com as mesmas linhas reatoras do Império sionista mundial.
E os massacres do Estado de Israel seguirão, como até agora, impunes e protegidos pelas estruturas do sistema de poder mundial sionista capitalista que o considera como sua "pátria territorial".


(*) Manuel Freytas é jornalista, investigador, analista de estruturas de poder, especialista em inteligência e comunicação estratégica.


(**) Matéria recebida por e-mail, que divulgo com todos os créditos.
Denise Oliveira, Maio 2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

Artigo da Revista Carta Na escola




Matéria da Revista Carta na Escola – edição novembro 2010 N° 51



O Chile do ditador Pinochet


História: Como esta longa e utrareprressiva ditadura foi também celeiro das políticas neoliberais no mundo.


Há 20 anos chegou o fim a ditadura comandada por Augusto Pinochet(1915-2006). Chile, país que até 1973 era o destino de boa parte dos exilados pela ditadura brasileira, também teve um período ditatorial que guardou características próprias: sucedeu a um governo socialista e inaugurou as políticas neoliberais na América Latina e no mundo. Nos 17 anos de regime autoritário, milhares de desaparecidos, mortos e exilados marcaram aquela que talvez, tenha sido a mais cruel das ditaduras da América do Sul. Para tratarmos deste assunto temos que voltar aos anos de 1960 e 70, que tiveram entre outras, a Guerra Fria e uma nova crise do capitalismo.


Guerra Fria: URSS X EUA

O período assim compreendido inicia em 1947, pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial, e vai até a queda do Muro de Berlim e a dissolução da URSS, entre 1989 e 1991. A Guerra Fria foi um momento em que as duas grandes potências vencedoras da Guerra 1939-1945 disputaram o controle mundial através da ocupação de zonas de influência. Por trás de cada lado da Cortina de Ferro estava também uma forma de organização socioeconômica. No lado oriental, predominou aquilo que se convencionou chamar de socialismo (nem todos os socialistas concordam que tenha sido), em linhas gerais caracterizado pela forte presença do estado na economia e na vida social, com centralização das decisões e ausência da propriedade privada dos meios de produção, mas com alguma ingerência do Estado nos setores econômicos e social, a fim de garantir direitos sociais mínimos e a confiança da população no sistema. O estado do Bem Estar-Social ou Welfare State, como também ficou conhecido, tem sofrido um processo de degeneração há 30 anos, com a ascensão das políticas neoliberais, que tem dominado todo o mundo capitalista. O regime democrático também garantia participação nas decisões, ainda que estas estejam sempre sujeitas aos interesses e poder dos grandes proprietários.

No caso da América Latina, um marco nesse período foi a Revolução Cubana, em 1959. País periférico, do ponto de vista de sua importância no capitalismo, ocupado economicamente, desde a sua independência da Espanha, pelos Estados Unidos, em 1898, além de bem próximo deste, Cuba mostrou ao mundo, aos países do então chamado Terceiro Mundo e, particularmente aos latinos-americanos, que uma revolução nesse contexto não apenas era viável como possível.

Não por acaso, a partir da ousadia cubana, o cerco norte-americano em relação aos países da América Latina fechou-se ainda mais, sobretudo a partir de 1961, quando o governo revolucionário cubano anunciou que caminharia em direção ao socialismo e após a fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos. A partir disso, uma série de golpes de Estado, tendo à frente os militares,mas apoiados por grandes empresários e setores da classe média,tomou conta dos países da região.

Se até então o capitalismo se apresentava como única forma de organização socioeconômica possível,a URSS e Cuba mostravam que havia algo de novo no front. É neste contexto que devemos entender a ascensão da Unidade Popular ao governo em 1970, com a eleição de Salvador Allende à Presidência do Chile,por meio da congregação de seis partidos de esquerda, sendo os principais o Partido Socialista, de Allende, e o Comunista, de Pablo Neruda. E é nesse embate também que devemos estudar as dificuldades pelas quais passou o país nessa tentativa de construir socialismo pela via constitucional e democrática. Tais dificuldades desembocaram numa crise política e econômica, e esta, em última estância, reforçou as propostas golpistas. De imediato, os setores de mineração e os bancos foram nacionalizados, ferindo os interesses da burguesia interna chilena e também da internacional, como a norte-americana, que tinha investimentos no país e planos de aumentar a exploração para fazer frente à nova crise que se anunciava no sistema capitalista.

Ditadura e Neoliberalismo

A derrocada da experiência chilena rumo ao socialismo deu-se num momento em que a era de ouro do capitalismo, com 30 anos de crescimento e relativa estabilidade,chegava ao fim. Marcada por crises cíclicas, o modo de produção capitalista sobrevivera ao Crash de 1929 e à Depressão dos anos 1930 com o advento do Welfare State (Estado do Bem Estar Social).


A produção nos anos 1970 estava em queda e a inflação subia. Naquele momento, a crise capitalista era agravada pelo aumento do preço do petróleo, com a formação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e a conseqüente queda nas taxas de lucro. Assim, a ideologia liberal voltou com força e pregou a retirada do Estado em relação à economia e à sociedade, deixando à iniciativa privada terreno livre para explorar setores até então nunca antes mercantilizados.

É neste sentido que teremos a política de privatizações que, no limite,chega à saúde e à educação, que até então eram vistas como serviços essenciais e que no contexto neoliberal passam a ser mercadoria como quaisquer outras. Quem pode paga, quem não pode fica sem ou se submete aos precários serviços ainda prestados pelo Estado. O neoliberalismo, se quisermos, pode ser visto como retorno das políticas liberais, mas com mais ênfase na retirada do Estado e no avanço das companhias privadas.


Se a via chilena ao socialismo apresentava-se como alternativa ao ideário neoliberal e à crise que se instalava, o socialismo “real” foi marcado pelo stalinismo. Daí também a URSS não tê-lo socorrido quando mais precisou. Daí também a derrota na Bolívia, e em 1972, em ambos os casos atuando decididamente nos governos e empresários brasileiros e dos EUA.

O golpe desferido em 11 de setembro de 1973 e a morte de Salvador Allende alcançaram Augusto Pinochet (ironicamente,homem próximo do presidente morto) ao governo. Ele presidiu uma junta militar que, depois foi dissolvida para o poder nele se concentrasse e o Chile, em plenos anos 1970, se constituísse em espécie de laboratório das políticas neoliberais na América Latina e modelo para o que depois viria pelo mundo com a Inglaterra de Margareth Teacher (a quem apoiou em 1982, na Guerra das Malvinas e EUA de Ronald Reagan).

Não à toa, o país foi apresentado como exemplo a ser seguido pelos demais vizinhos, segundo o governo dos EUA e organismos como Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

Golpes e Mais Golpes

Em 1988, tendo em vista o esgarçamento das ditaduras e a pressão da sociedade civil pelo retorno à democracia, Pinochet submeteu-se a um plebiscito sobre sua continuidade no governo. Perdeu. Em 1990,quando foi eleito Patrício Aylwin, Pinochet assumiu o comando do Exército até 1998. Em seguida, tornou-se senador vitalício, ao mesmo tempo que respondia por crimes de corrupção e escapou da condenação na Espanha, alegando insanidade mental, por assassinato de cidadãos espanhóis durante seu governo. Em 2006, quando morreu a América Latina dava mostras claras do esgotamento das políticas neoliberais,após a derrubada de diversos governos que tentaram implementar tais políticas, além da ascensão de outros forjados no campo da esquerda que combatiam, cada um a seu modo esse ideário.

Como exemplo de que novas viradas ideológicas no continente não seriam permitidas pelas forças hegemônicas, em 2002 assistimos, guardadas as proporções, um golpe de Estado que lembrou de 1973. Desta vez abortado pela população venezuelana, que resistiu à queda do governo constitucionalmente eleito de Hugo Chávez. Talvez a tentativa frustrada de golpe no Equador, recentemente, possa ser analisada nesta perspectiva.

Hoje temos no Chile o início de um governo de direita que pode reforçar tais políticas de direita que pode reforçar tais políticas iniciadas por Augusto Pinochet, após o governo de Michelle Bachelet, filha de uma vítima da ditadura,não conseguiu reverter a desigualdade social d distanciar o país dos EUA. Parece que, ao menos no Chile, o neoliberalismo ainda sobreviva e representa uma cunha colocada em meio a governos e populações que pedem um novo caminho para organizar sua vida.


Transcrito na íntegra da Revista Carta na Escola, edição 51, novembro 2010, venda proibida, PNDE- edição para professores 2010.
Site: WWW.cartanaescola.com.br





terça-feira, 8 de março de 2011

Polônia: uma guerra vários inimigos

Soldados poloneses durante a invasão alemã
A invasão da Polônia pelo exercíto alemão, em 1 de setembro de 1939, marcou o início efetivo da II Guerra Mundial. Na verdade a II Guerra já vinha sendo desenhada pelo Nazismo, desde 1934, ano que marca a chegada de Adolf Hitler ao poder na Alemanha. Depois da noite dos longos punhais, onde toda e qualquer resistência as ideias nazistas foram varridas da Alemanha , a mando do Führer e comandadas pelas tropas de elite da SS. Nada mais impediu o avanço do partido não só na Alemanha, mas também na anexação dos territórios dos Sudetos, no leste europeu e da Áustria. Até então, Inglaterra e França se faziam de mortas para que não houvesse mais um confronto bélico no continente, já que estas nações estavam bem esclarecidas sobre o caos econômico que um novo conflito mundial acarretaria nas suas colônias da Ásia e África.
É neste contexto que Hitler e Stalin assinam o Pacto Molotov-Ribbentrop , de não agressão mútua, assinado em 1939.
Em 1 de setembro, sem nenhum aviso prévio ou declaração formal de guerra, a Polônia é invadida de madrugada pelas tropas alemãs. E na noite de 16 para 17 de setembro de 1939, pelo Exército Vermelho. A URSS, tratou de assegurar sua parte do acordo com Hitler.
Tornou-se claro que a Polônia não tinha só um inimigo, mas dois. Desde o dia em que começou a Segunda Guerra −, a Polônia estava conseguindo se defender de forma corajosa, ainda que sem sucesso, contra a então ainda poderosa Wehrmacht (Exército alemão). Até aquela noite, no entanto, não se sabia que a Alemanha e a União Soviética − na verdade, ferrenhas inimigas ideológicas − haviam se aliado num protocolo secreto anexado ao Pacto de Não-Agressão. Segundo este protocolo, Hitler e Stalin pretendiam dividir a Polônia. Naquela noite, o Exército Vermelho cruzou a fronteira oriental polonesa para assegurar sua parte do butim. Iniciava-se um dos mais terríveis episódios de uma história cheia de desgraças.


Por que tanta sede sobre a Polônia?
A Polônia já havia sido chamada de “chave do cofre” por Napoleão Bonaparte já que o país constituía um “corredor” por onde é possível invadir a URSS, como Bonaparte fez no século XIX e depois Hilter repetiria em 1941. Stalin, havia tomado suas precauções fechando essa passagem ao invadir o país pelo leste.
Os civis são os alvos principais da disputa pela Polônia
Seis milhões de poloneses morreram no conflito, dos quais mais de 95% civis. Durante seis anos, a Polônia pareceu um "matadouro mecanizado, cuja esteira rolante transportava constantemente os cadáveres de seres humanos assassinados", como disse certa vez o escritor polonês e Nobel de Literatura Czeslaw Milosz.
Situavam-se na Polônia ocupada os principais campos de concentração − Auschwitz, Treblinka, Sobibor, Belzec, Chelmno e Maidanek. Apenas 10% dos 3,3 milhões de judeus poloneses conseguiram se salvar.
Um fato que a perspectiva alemã às vezes deixa de considerar é que não foram apenas os judeus a ser sacrificados pela fúria destruidora dos alemães. Conforme os objetivos de guerra dos nazistas, a Polônia deveria desaparecer como nação. Por isso, a partir de 1939 foi iniciada uma verdadeira caça aos que manifestassem uma ideologia nacionalista polonesa.
Intelectuais, religiosos e nobres foram transportados aos milhares para campos de concentração, ou executados imediatamente. A meta era "germanizar" os territórios poloneses e transformar a população em mão-de-obra escrava.
A URSS não deixou por menos, logo após o Exército Vermelhou invadir o país iniciou-se os expurgos, para consolidar sua ocupação territorial os soviéticos assassinaram, aprissionaram e deportaram milhões de poloneses. Tais expurgos haviam começado imediatamente a invasão dos soviéticos ao território polonês.
A partir de agosto de 1944, a segunda fase desses expurgos já envolvia a deportação, prisão ou assassinatos de milhões de pessoas. Segundo o escritor Alexander Soljenítsin, umm dos primeiros a expor ao mundo os horrores da guerra e dos gulags(campos de trabalhos forçados impostos aos dissidentes ou prisioneiros de guerra ou políticos na URSS). “ Nações inteiras desapareceram pelos buracos dos esgotos.”
Houve um documento assinado em Yalta, pouco antes das delegações voltassem a seus postos de guerra: um acordo secreto sobre “repatriações”. O termo implicava que deveria existir uma pátria para a qual o indivíduo pudesse voltar após a guerra, e para isso, era preciso que a Europa estivesse divida en nações-estados. O problema que essa questão era altamente impossível de ocorrer naqueles tempos, principalmente no caso dos “russos”(termo pejorativo destinado a se referir de maneira genérica a qualquer pessoa originária da URSS). Em setembro de 1944, o gabinete de Guerra Britânico adotou a política de repatriamento forçado de “russos”, e em novembro os americanos seguiram o exemplo inglês. Quando os três chefes de estado se reuniram em Yalta, já haviam milhares de “repatriados”, mesmo que a URSS, tivesse 110 grupos éticos reunidos sob uma ditadura que havia efetivamente destruído os governos locais e esses “repatriados” não vissem nos territórios ocupados pela URSS, uma pátria para eles.
Os poloneses dissidentes e prisioneiros judeus sobreviventes dos campos de Auschwitz, e outros complexos de campos de concentração nazistas no oeste da Polônia e leste da Alemanha, foram evacuados forçosamente para campos localizados a centenas de quilômetros . Aqueles que não tinham condições físicas eram sumáriamente fulizados em grupos, não pelos nazistas, mas pelo tão libertador Exército Vermelho.


Por que a Inglaterra tratou as duas invasões da Polônia de forma tão distintas?
Com o crescente avanço da Alemanha sobre a Polônia e o acordo fechado entre Hitler e Stalin, a Inglaterra ofereceu à Polônia uma série de garantias, o que gerou o acordo Anglo-Polonês de ajuda mútua, assinado dois dias após o Pacto Molotov-Ribbentrop. A partir desse tratado, os britânicos se comprometeriam em ajudar os poloneses de ataque. Com efeito, após a invasão alemã, os ingleses declaram guerra dois dias depois.
Porém, na segunda invasão, a Soviética em 17 de setembro, quando 600mil soldados Vermelhos invadiram o leste do país, os britânicos não declararam guerra à URSS. Na época, a opinião pública não sabia que havia uma cláusula no acordo, só prevendo a invasão por parte da Alemanha.
Assim a agressão soviética foi abertamente tratada de maneira diferente em relação a alemã, e não é difícil entender as razões: Não havia interesse da Inglaterra em declarar guerra ao segundo país totalitário europeu, e que seria mais a frente, um “aliado” contra os alemães.
Heróis sem Pátria
A Inglaterra reconheceu abertamente a influência Soviética na Polônia, com resultado os poloneses que haviam lutado contra os exércitos alemães, ao final da guerra, se transformaram em pedras nos sapatos dos ingleses, pois não aceitavam a presença soviética em seu território, exigindo a libertação imediata do país.
Em resposta, para não aborrecer aos fantoches de Stalin, os soldados poloneses não foram convidados a participarem do Desfile da Vitória e nem as comemorações do Dia V.
Ao menos 15 mil soldados poloneses, que haviam lutado sob o comando do general Anders, um dos poucos generais polonese que conseguiu sobreviver ao extermínio em massa de generais poloneses pelo Exército Russo, retornaram a Polônia. Mas não havia “nada no futuro, a não ser vagar pelo exílio”.
Na verdade, a posição aliada aos exércitos poloneses, foi covarde, pois para assegurar a “parilha segura” do continente europeu, os aliados simplesmente ignoraram o sacrifício e a luta dos poloneses pela libertação de seu território. Para o povo polonês, a II Guerra Mundial não teminou em maio de 1945, ainda precisou-se de mais 45 anos até que os poloneses, enfim pudessem se donos de sua terra e viverem em liberdade.




Fonte:
Revista BBC História, 11° fascículo, pp 37 e 38/63,64 e 65
Blog: DW-World.DE –Deusche Welle- Artigo: Polônia o país mais devastado


Por : Denise Oliveira – fevereiro/2011

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A Origem do Natal



No último mês do ano resolvi escrever um artigo mais leve, nada de guerras e disputas sociais. Quero falar um pouco da mais tradicional festa religiosa do mundo ocidental. O Natal.

As origens das comemorações natalinas datam da antiguidade em mais ou menos 2.000 anos, na Mesopotâmia (hoje região conhecida como Oriente Médio que abrange os países como Irã, Iraque,Kwuit, Arábia Saudita). Nesta época acreditava-se que com a chegada do inverno (Zagmuk), o deus Marduk enfrentariam monstros e para derrotá-los o rei deveria morrer para, junto à Marduk lutaria contra esses tais monstros.

Para poupar a vida do rei, um criminoso comum era vestido como rei e passava um período de festividades, até que seria morto e levaria os pecados do povo com ele para a grande batalha ao lado do grande Marduk. Esse ritual durava 12 dias, e era conhecido como Festival de Ano Novo.

Da região da Mesopotâmia nasceram outras culturas que nela se inspiraram como os gregos e romanos. Para os gregos o festival celebrava a luta de Zeus conta o Titã, e para os romanos o festival homenageava o deus Saturno. A festa iniciava-se em 17 de dezembro estendendo-se até 1° de janeiro. Essa época do ano, na Europa e Ásia é conhecida como solstício (período em que o sol está mais fraco, e segundo os cálculos dos romanos o dia 25 era o dia mais curto do ano, porém a partir daí o sol estaria pronto para recomeçar a crescer e trazer novamente vida à Terra.

Após a cristianização do Império Romano, o Natal passou a ser comemorado em 25 de dezembro. Essa Celebração foi criada pelo Papa Libério, no ano de 345 d.C. , porém sabemos que essa data não é real,na verdade ninguém sabe quando Jesus nasceu, deduz-se que Jesus tenha nascido antes da chegada do inverno, já que na Judéia costumava nevar e chover no período do inverno, e Jesus não nasceu numa noite chuvosa e muito menos com nevasca, já que Maria não conseguiria tê-lo numa simples manjedoura se o clima fosse esse. Morreriam mãe e filho de frio. A Igreja utilizou as festividades pagãs já existentes, para aí sim, introduzir o cristianismo na cultura desses povos.

Nas festividades romanas era comum a troca de presentes, o que a Igreja incorporou nas festividades natalina, Além de não entrar em rota de colisão com os povos pagãos, a Igreja, conseguiu ao longo do tempo sufocar as festas e a religiosidade desses povos e fazer com que o Natal se tornasse a maior festa religiosa do mundo.

Fonte de pesquisa:
http://www.netsaber.com.br/
Por Denise Oliveira, dezembro de 2010






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