sábado, 30 de março de 2013

A Escravidão Africana no Brasil Colonial


Navio Negreiro ou Tumbeiros já que morriam inúmeros negros na viagem
 O trabalho compulsório foi a marca da economia açucareira durante o processo de ocupação e colonização do território brasileiro. Dentro da lógica Mercantilista, que permeou os séculos XVI-XVIII, aonde o acúmulo de capitais foi a tônica econômica. É neste contexto, que a África será explorada. Não só seus recursos naturais vão gerar lucro as metrópoles que nela se estabeleceram, mas a marca mais profunda do desrespeito étnico, imposto pelo etnocentrismo, lógica que vigorou na Europa Modernista, aonde a etnia branca se julgava superior as demais etnias espalhadas pelo Planeta e, agora descoberta através do movimento marítimo.
Vamos entender melhor esse momento, aonde pessoas, classificadas por sua cor de pele, e com aval da Igreja Católica e Protestante se tornaram meras mercadorias, e sua cultura, seus territórios e sua vida passaram a ser classificados apenas como lucro.


Tráfico Negreiro século XVIII
A Escravidão e o Escravismo
Os europeus ao chegarem no continente africano deparam-se com a prática da escravidão, mas o que se verificou com o tráfico atlântico, a partir do século XV, não pode ser classificado como o mesmo fenômeno.
Durante muito tempo, acreditou-se na ideia de que a escravidão ocorrida na África fora mais branda e humanista se comparada à escravidão praticada na América até o século XIX. Muitos defendiam a tese de que o cativo era absorvido pelo povo que o capturava, caracterizando uma escravidão exclusivamente de cunho doméstico, mas, conforme veremos, a escravidão na África não ocorria somente neste formato.
Porém, sabemos que a relação entre senhor e escravo, tanto na África como na América, sempre foi baseada na violência, nos castigos e nas punições disciplinares. Além disso, as pessoas foram retiradas dos meios em que viviam, separadas de suas famílias, obrigadas a aprender outros idiomas e outros costumes, além de terem sido humilhadas e torturadas. Todas essas características foram chamadas de processo de desterritorialização, que ocorre quando indivíduos são retirados à força de seus territórios para outros territórios muitas vezes inóspitos.
A escravidão africana se configurou como cruel e desumana, segundo a historiadora Marina de Melo e Souza

“Desde os tempos mais antigos, alguns homens escravizaram outros homens, que não eram vistos como seus semelhantes, mas sim como inimigos e inferiores. A maior fonte de escravos sempre foram as guerras, com os prisioneiros sendo postos a trabalhar ou sendo vendidos pelos vencedores. Mas um homem podia perder seus direitos de membro da sociedade por outros motivos, como a condenação por transgressão e crimes cometidos, impossibilidade de pagar dívidas, ou mesmo de sobreviver independentemente por falta de recursos. [...] A escravidão existiu em muitas sociedades africanas bem antes de os europeus começarem a traficar escravos pelo oceano Atlântico”(SOUZA, 2006, p. 47 apudMOCELLIN; CARMARGO, 2010, p. 174).

A escravidão africana poderia acontecer por guerras, aonde o grupo vencido se tornava escravo do vencedor, já neste caso era visto como inferior/derrotado. Por dívida,quando o devedor sem condição de arcar com o pagamento, era escravizado pelo credor até que pagasse o devido com seu trabalho ou como punição por crimes. Porém, a escravidão e as guerras se tornaram mais freqüentes e lucrativas a partir da chegada do europeu.
A Indústria da Escravidão
O tráfico internacional de escravos marcou uma gigantesca rede de comércio de seres humanos, o tráfico negreiro, e a montagem  de um sistema altamente lucrativo, o escravismo.
Na América recém ocupada pelos europeus, o escravismo alçou grandes lucros, formando uma classe altamente enriquecida e poderosa com essa atividade. Na África,o tráfico favoreceu  a desorganização das estruturas políticas. A partir do tráfico se estimulou rivalidades entre as inúmeras etnias que habitam o continente , o que favoreceu, e ainda favorece a exploração das riquezas naturais  por países estrangeiros. Na Europa, o acúmulo de capitais proporcionado pelo tráfico negreiro e pela produção colonial foram os instrumentos principais de acumulação de capital para alavancar  o capitalismo.
Tráfico de Escravos Séculos XV e XVI


África: Os Reinos e o Tráfico Negreiro
A região da Costa D’Ouro, era o principal foco de atividades portuguesas no século XV, pois foi por  esta rota, que os primeiros navegadores começaram a descobrir novas terras e riquezas. Esta região estava repartida em pequenos principados desde o século XII. Os povos costeiros faziam comércio com os povos do interior através de escambo de sal, peixe, noz de cola, tecido, ouro e cobre.Estas comunidades faziam parte do grupo etnolinguístico  Akan e falavam a língua Kwa da família Níger-kadorfaniana. A expansão deste reino  da costa para o interior, estará ligada à expansão do comércio negreiro.
No início o povo Achanti, utilizava  suas reservas de ouro para adquirir armas de fogo. Com o tráfico,passaram a exportar cativos em troca de munição e mais armas, para promoverem mais guerras e gerar mais cativos.Desta forma, o reino Achanti ,com o incentivo advindo dos lucros dos cativos passou a dominar toda a região ao longo do século XVIII.
Na região do Golfo da Guiné, os europeus também encontraram reinos formados no século XII.Esses reinos agrupavam povos de língua Iorubá. O reino de Oyo, por sua localização entre a savana e a floresta, controlava grande parte do comércio. Já o reino de Benin detinham o controle sobre o marfim e a pimenta, agrupando ao longo dos incentivos vindos dos europeus, o tráfico de cativos.
Os lucros advindos do tráfico negreiro desencadearam  uma série de conflitos entre esses povos. As etnias já mantinham uma rivalidade natural, mas não podemos deixar passar em branco, o incentivo e as provocações promovidas pelos europeus. De início, ao perceberem essas rivalidades, as nações européias promoviam, através de benefícios a um determinado grupo étnico em detrimento de outros, o que acirrava as rivalidades. Vale lembrar que até hoje, em pleno século XXI, as guerras étnicas que ainda varrem o continente africano, beneficiam as nações européias. Mas recentemente,  o Congo vive uma interminável guerra civil, que gera  lucros incalculáveis a indústria de tecnologia, por conta a aquisição do coltan(principal matéria prima para a fabricação de computadores, celulares,GPS,satélites e afins).
Do reino de Daomé, do povo fon, localizado na região central, também se expandiu até o litoral, baseado na captura e venda de cativos, oriundos de guerras étnicas. Está região tomará um corpo tão preciso na rota de cativos, que será conhecida entres os séculos XVII e XVIII como Costa dos Escravos.
Línguas e Povos Africanos
O grande impulso do tráfico negreiro aumentou as atividades comerciais no interior, o que favoreceu o surgimento de uma nova classe mercantil. A região de Ndongo(atual Angola),atraia cada vez mais  comerciantes portugueses. Desta forma, o estímulo cada vez maior as guerras entre tribos foi sendo a principal arma dos portugueses para alavancar somas vultosas com o tráfico humano.

Rotas, Reinos e Estados Africanos até o século XVI

A Escravidão Africana na Colônia Brasileira
Como ficou claro na primeira parte do texto, a escravidão africana gerou lucros infinitos aos que dela participaram como apresadores de gente,seja  na própria áfrica, entre os africanos, seja aos comerciantes europeus. Mas como se deu as relações entre o escravo e seu senhor, fora do seu território de origem?
A sociedade colonial assentava-se na oposição entre senhores e escravos. Todos os demais grupos sociais definiam-se a partir deste dois primeiros e de acordo com sua proximidade ou distância desse núcleo fundamental.
Os senhores de engenho, lavradores,pequenos proprietários,comerciantes, fidalgos, clérigos, funcionários do império e soldados, constituíam  a classe de homens livres.
Os escravos eram propriedade, comprados da mesma forma que qualquer outro objeto.Tanto o seu trabalho como sua vida pessoal pertenciam ao seu dono. Como eram mercadorias, podiam ser vendidos, trocados, alugados,emprestados ou doados, segundo a necessidade de seu proprietário.Desta forma, era negado ao escravo constituir família,conviver com seus filhos ou parentes. A posse de muitos escravos, conferia ao senhor status e poder social.
Desde os primeiros tempos  da conquista até o século XIX, a escravidão foi a base de trabalho  no Brasil. A primeira tentativa de escravização, foi imposta aos indígenas e persistiu por todo período colonial,sendo mais predominantemente utilizada nos engenhos de açúcar até o século XVI. A partir da entrada de africanos, a mão de obra indígena se restringiu ao Nordeste, algumas capitanias do Norte e do Sul.
As expedições conhecidas como Bandeiras, tinham como objetivo principal descobrir minas de metais preciosos e apresamento de indígenas para a lavoura e outros trabalhos da terra. Mas a escravidão indígena, fugia da ordem mercantilista, que se estruturava  como ordem mundial. Tanto os traficantes de escravos, como o Estado absolutista não tinham controle sobre essa ordem econômica não gerando lucro a essa categoria social. Desta forma, a Igreja e o Estado passaram a condenar a escravidão dos negros da terra.

Bandeiras de Apressamento Indígena







Rotas de Apresamento Indígena






A Escravidão e a Política Econômica
Os grandes lucros avindos da escravidão africana foi  fundamental para o controle das terras conquistadas. Desde a instalação do Governo Geral, em 1548 com a chegada de Tomé de Souza, a vigilância sobre as atividades comerciais na colônia ficaram bem mais acirradas. O Estado Português, limitou a escravidão indígena, da qual não gerava lucros para a metrópole e para tal a presença dos padres jesuítas foi primordial neste controle.
Defensores da causa indígena, os padres direcionaram não só suas almas mas também sua força de trabalho. Os membros da Cia de Jesus, auxiliavam o Estado no exercício de poder sobre o colono e o apressamento indígena.
Não será a toa, que a Igreja lançará mão das escrituras sagradas que classificam os africanos como descendentes de Caim,filho de Noé, o irmão invejoso que matou Abel desonrando sua família. Desta forma, os africanos deveriam expiar seus pecados através do trabalho, por isso foram condenados à escravidão.
A retirada dos africanos de seu continente e a dura travessia pelo Atlântico, era segundos os clérigos,  o milagre da Providência Divina, já que receberiam o batismo, e a fé cristã. O africano escravizado, não estava sendo injustiçado, mas sim recebedor da graça divina da purificação. Poucos religiosos foram contrários a este auto de fé, a grande maioria dos religiosos e com as benções de Roma, eram favoráveis a esta maneira escabrosa de se salvar  almas.
A América seria o local ideal para que esses  “infames” purificassem suas almas, e assim depois de mortos entrarem no reino dos Céus. A colônia brasileira, tinha como papel básico ser o Purgatório de todos os pecados cometidos por esse "povo”.
Já os indígenas, segundo os padres jesuítas,permaneciam puros como nos Jardins do Éden. Andavam nus, mas não tinham malícia.Respeitavam as mulheres, as crianças e viviam em harmonia com a natureza. Só faltava a esses seres quase divinos, o conhecimento da fé Cristã.
A lógica desse discurso medonho é uma só: os africanos geravam um grande lucro, tanto aos comerciantes, quanto à Coroa e por isso deveriam perecer no cativeiro, já os indígenas fariam esses lucros sangrarem sem chegarem as mãos dos reis, por isso deveriam ser poupados da escravidão real, levados a uma escravidão branca, que geraria grandes lucros as ordens religiosas. Pois, todo trabalho executado pelos bugres da terra nas missões jesuíticas era, revertidos aos cofres de Roma e a própria Ordem dos Jesuítas. Desta forma, fica muito claro os interesses religiosos nas “santas alminhas indígenas”.

As Formas de Resistência Africana ao Cativeiro


Ataque ao Feitor ou Senhor


Apesar de todas as condições adversas e dos discursos religiosos legitimando a escravidão,os negros não assistiram pacíficos à destruição de sua s vidas. A resistência ao cativeiro e a toda violência dele advindo forjou  várias  formas de resistência. Os escravos promoviam sabotagem no processo de produção do açúcar, organizavam fugas coletivas ou individuais, assassinavam feitores e senhores, suicidavam como forma de dar prejuízo ao senhor, geravam revoltas nos engenhos e povoados. E ainda existiam os que sentiam banzo, uma espécie de depressão por saudade de sua terra original que levava o escravo a não render nos trabalhos da lavoura e até a morte por definhamento. Outra forma de resistência foi a preservação das crenças originais e ritos africanos, mesmo condenados pelo sistema colonial,os rituais de louvor a natureza, o Candomblé, se fez permanente nas senzalas. Muito comum para disfarçar a crença era unir os orixás aos santos católicos, dando origem ao sincretismo religioso. Também foram incorporados elementos dos ritos indígenas. O que de certa forma contribuiu para o nascimento de uma nova religião no Brasil: a Umbanda.
Porém, a forma mais eficaz e conhecida de resistência à escravidão, foi a formação de Quilombos. Após fugirem  em  grupos, estes se organizavam em pequenos acampamentos em áreas despovoadas e de difícil acesso.Para sobreviver, os quilombolas promoviam assaltos a viajantes,e ataques a povoados.


Resistência Cultural









Rebelião nos Engenhos
Para os grandes quilombos não iam apenas os negros, podiam se contar também com a presença de indígenas vitimados pelos ataques das Bandeiras, criminosos e outros tipos de marginalizados  da sociedade colonial. Nesses quilombos, havia agricultura de subsistência, criação de animais de pequeno porte,produção de artesanato e até armas para caça e pesca. Alguns quilombos de grande porte chegaram a  estabelecer relações comerciais com os povoados mais próximos, e na forma de escambo adquiriam armas de fogo, munição, ferramentas e outros produtos necessários a sobrevivência da comunidade.


Formação de Quilombo
A organização social dos Quilombos era estabelecida por uma elite guerreira, líderes da comunidade que promoviam a defesa  do espaço e ataques armados não só aos povoados como também as inúmeras tentativas de destruição do seu espaço.
Não era raro a manutenção da escravidão doméstica dentro dos quilombos nos mesmos moldes da escravidão das tribos africanas. Mas os quilombos foram a forma de maior resistência à escravidão e neles podia-se reproduzir as heranças culturais,seus hábitos e costumes de maneira livre do julgo colonial. Os quilombos constituíram-se nos efêmeros paraísos sobre a terra.
Podemos perceber claramente  as nuances das perseguições étnicas no Brasil colonial. A tônica etnocêntrica e a dominação católica deste período, infelizmente permanecem até os dias de hoje sobre as minorias (que nem tão minorias assim são) raciais.
No Brasil do século XXI, convivemos cotidianamente com as discriminações raciais sobre os negros e indígenas. No final do ano de 2012 e início de 2013  assistimos em SP, a matança indiscriminada de jovens negros da periferia. No RJ a expulsão grotesca dos indígenas que habitavam o abandonado prédio do ex museu do Índio(a Aldeia Maracanã), além de saber de inúmeras arbitrariedades promovidas contra os Guaranis-Kaiowás no Mato Grosso, o Alto Xingú ameaçado pelo próprio governo Federal, que deveria ter o compromisso de preservar sua cultura, mas deseja ardentemente construir uma Hidrelétrica, Belo Monte, que beneficiará apenas as grandes empresas ligadas ao agronegócio.
Enfim, ao final nos parece que ainda vivemos no período Moderno(séc XV a XVII), ligado ao grande preconceito étnico –cultural, forjado pelos interesses do grande capital.

Bibliografia:
SOUZA, Marina de Melo e. África e Brasil africano. In: CAMARGO, Rosiane de; MOCELLIN, Renato. História em debate. Volume 2. Ensino Médio. São Paulo: Editora do Brasil, 2010, p. 174.
CAMPOS, Flávio e CLARO, Regina. A Escrita da História-Vol.1, Edições Escala Educacional S/A,SP,2010- Capítulo 10: O Império Colonial Português Pags.290-300,mapas escaneados deste capítulo.

Por: Denise Oliveira, Março de 2013

sexta-feira, 15 de março de 2013

As Condições de Trabalho dos Professores no Brasil


professor



Brasil - Le Monde Diplomatique - [Roberto Franklin de Leão] A história da educação no Brasil é marcada por descasos, improvisações e exploração da força laboral dos trabalhadores escolares, fatos intrínsecos ao modelo de colonização que deu origem ao patrimonialismo estatal e à disseminação de misérias até hoje não superadas pelo país

Num breve contexto histórico, a educação formal no Brasil surgiu cinquenta anos após o Descobrimento e se deu por meio de concessão da Coroa portuguesa à Companhia de Jesus. Naquela época, os padres e irmãos-coadjutores eram responsáveis pelo trabalho escolar, e suas rendas (ou sustento) provinham de dízimos e das atividades pecuárias desenvolvidas nas fazendas da Igreja. Somente em 1759, com a expulsão dos jesuítas do Brasil, o governo da colônia passou a se responsabilizar pela oferta educacional, nomeando professores e remunerando-os uma única vez por ano – condição de quase flagelo que exigia dos mestres outras fontes de recursos para arcar com seus compromissos cotidianos.
Durante a Primeira República (1889-1930), o modelo escolar elitista, já praticado no Império independente de Portugal, regeu a oferta pública educacional, e os professores, em número bastante reduzido – sendo a maior parte composta de profissionais liberais ou servidores públicos que tinham o magistério como segunda atividade econômica, com exceção das normalistas responsáveis pelas classes de primeiras letras –, gozaram de melhores remunerações e condições de trabalho.
O êxodo rural e a industrialização, dois fatores que mudaram a estrutura da sociedade brasileira na primeira metade do século XX, pressionaram o Estado a ofertar ensino público para atender às demandas sociais e econômicas do país. Porém, os interesses das elites dominantes prevaleceram desde então, no sentido de não se optar pela construção de um sistema público de ensino com qualidade. Concedeu-se ao povo o acesso às escolas de primeiras letras com o único objetivo de qualificar minimamente os trabalhadores e seus filhos para o crescente e diversificado trabalho urbano.
Nessa nova fase, a formação profissional do professor ganhou destaque, e as normalistas – em geral mulheres oriundas da classe média e com formação de nível médio – passaram a ser protagonistas no processo da educação popular. Por outro lado, o primeiro curso de graduação voltado à formação do magistério surgiu apenas em 1934, com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.
Embora as normalistas constituíssem uma emergente classe no mundo do trabalho, acompanhada de profissionais que viviam exclusivamente da renda obtida com o exercício do magistério, fato é que o Estado brasileiro (leia-se, elites) atendeu à crescente demanda social por escola pública sem investir recursos financeiros necessários para manter o padrão de qualidade do modelo elitista da Primeira República. A estratégia centrou-se na posição desprivilegiada da mulher na sociedade – ainda hoje a maior força de trabalho na escola básica, com quase 90% de ocupação dos postos na educação infantil e fundamental – para fracionar a jornada de trabalho, reduzir os salários e precarizar as condições de trabalho, sobretudo por meio de salas superlotadas. A jornada escolar dos estudantes também foi fracionada para que a escola dispusesse de mais espaços físicos (uma única escola chegou a comportar quatro turnos diários) para atender um imenso contingente de crianças, jovens e adultos analfabetos.
Essa estrutura de improvisação do currículo, dos tempos pedagógicos e de exploração do magistério – e até aqui nem se cogitava reconhecer ou valorizar os funcionários escolares (merendeiras, vigias, secretários, zeladores, entre outros) – predominou na cultura de nossa sociedade, não obstante a incessante luta dos trabalhadores em educação inaugurada no início da década de 1940.
Outro agravante no cenário da desvalorização da educação e de seus profissionais reside na própria estrutura federativa, que no Brasil sempre impôs sérias contingências a estados e municípios – responsáveis diretos pelo financiamento da educação pública de nível básico (0 a 17 anos). Ainda no Império, ciente de que a ajuda do poder central era decisiva para melhorar as condições de aprendizagem dos estudantes e de trabalho dos educadores, em 1822, mesmo antes da proclamação da independência, o Poder Legislativo aprovou lei estabelecendo piso nacional para o magistério. Todavia, em razão da escassa contribuição financeira do Império às províncias, a lei acabou sendo renegada pelos gestores públicos.
Quase dois séculos depois, em 2008, os trabalhadores em educação tiveram novamente a oportunidade de contar com uma lei federal que estabeleceu o piso nacional para o magistério, cujo valor é a referência mínima para os planos de carreira de cada uma das esferas da administração pública que contratam professores no nível básico (federal, estadual, distrital e municipal).
A referida lei é justificada por diversas razões, sobretudo do ponto de vista comparativo:
1º) Pesquisa da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2009 revelou que o professor brasileiro do ensino fundamental 2 (6º a 9º ano) ganhou, em média, US$ 16,3 mil naquele ano. Enquanto isso, na média, um professor com formação e tempo de serviço equivalente recebeu US$ 41,7 mil nos países da OCDE.
2º) Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-2009), do IBGE, que embasaram o projeto de lei do novo Plano Nacional de Educação (PNE), em tramitação no Congresso Nacional, apontaram que o professor da educação básica é o profissional menos valorizado no Brasil. Sua renda média anual equivale a 40% da dos demais profissionais com mesmo nível de escolaridade, e o PNE sugere igualar essa renda num prazo de seis anos – o que é um imenso desafio!
3º) O Brasil ainda detém uma das menores remunerações em início de carreira do mundo (US$ 783), estando atrás de Costa Rica (US$ 1.474,53) e Argentina (US$ 1.131,31), porém superando Chile (US$ 780), Colômbia (US$ 745) e Nicarágua (US$ 199,17), do ponto de vista da América Latina. Importante ressaltar que, até meados de 1990, vários estados e municípios do Brasil remuneravam seus professores abaixo de US$ 100. E, mesmo com a superação dessa condição indigna, o patamar atual está muito aquém do potencial de quem detém a sexta economia do mundo, sendo preciso, acima de tudo, resgatar o valor social dessa importante profissão que já sofre com preocupantes déficits nas áreas de exatas, biologia, artes e língua estrangeira.
A luta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), desde a aprovação da Lei n. 11.738 e do julgamento de mérito à ação direta de inconstitucionalidade movida por governadores contrários à lei do piso – que acabaram derrotados no Supremo Tribunal Federal –, é pela imediata e integral aplicação do piso nacional do magistério em todos os entes da federação. A referida lei concilia remuneração, formação e jornada de trabalho, constituindo um primeiro instrumento efetivo de política pública capaz de reverter a histórica desvalorização do magistério. A CNTE também luta pela extensão do piso aos demais profissionais da educação como forma de assegurar uma educação pública de qualidade para todos os brasileiros e brasileiras, capaz de garantir o desenvolvimento inclusivo, soberano e com igualdade social.

Matéria publicada no informativo:www.diarioliberdade.org em 12/03/2013

Publicada na íntegra/Por:Denise Oliveira-março de 2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Brasil: o pesadelo dos anos 70




Ao final dos anos 70 era lançado o álbum “John Lenon Plastic Ono Band”. Na canção God, Lenon afirmava  não acreditar, na Bíblia, em Jesus, em Buda, em Bob Dylan, no movimento hyppe e nos Beatles, afirmando na música “And thahst’s realyter.The dream is over”( E esta é a realidade.O sonho acabou).
O início dos anos 70 parecia  ter sido marcado pela ressaca da década anterior, quando tudo parecia mudar,principalmente no louco ano de 68, onde a juventude deu as cartas, mas perdeu o jogo. A morte violenta  de Malcon X, Martin Luther King, Che Guervara, Carlos Marighela, Carlos Lamarca, a continuidade da Guerra no Vietnã , a manutenção da Guerra Fria, a manutenção das ditaduras militares desmoronamento de países como Chile e Argentina,até então o oásis da democracia na América do Sul. Tudo apontava para o esgotamento da capacidade de transformação do mundo.
O recolhimento pessoal, a luta pela sobrevivência e os atrativos da sociedade de consumo tornaram-se referência dominantes. Não por acaso a música muda, do rock contestador  de Bob Dylan, Janis Joplin, Jimmy Hendrix e Cat Stevens, surge o rock progressivo do Yes, Pink Floyd,Genesis(internacionais), e no Brasil, pela ausência dos maiores músicos surgidos na década de 60, que após o AI 5 foram obrigados a se exilar, como :Caetano Veloso e Chico Buarque, vão surgir movimentos como Clube da Esquina e 14 Bis(MG), Mutantes e , lançando a   voz e estilo diferenciados dos Secos e Molhados. Esse tipo de rock propunha uma nova  forma de sonho, o que procurava evadir-se e não brigar com a realidade.
A verdade é que a década de 1970, foi de derrota total ao sonho de mudança real para a sociedade, os que contestavam estavam fora, seja por problemas políticos, ou por que morreram de over dose. O que restou: dançar bem ou dançar mal, mas dançar sem parar.



Grupo Secos e Molhados













A invasão da música estrangeira na nossa cultura

O modo de vida Brasileiro
Enceradeiras, batedeira, aspiradores de pó, ar-condicionados, máquinas de lavar, aparelhos de som, e a televisão(que chega no final da década de 50 e se transforma em elemento fundamental dos lares mundiais). A julgar pela enxurrada de trecos e cacarecos a invadir os lares de classe média, podemos notar claramente que a forma de entender felicidade muda completamente. O ser feliz nos anos que virão, compreende ter, comprar, trocar, gastar, mudar.Mas longe, bem longe se vai o ser, o dividir.
Os mais felizes e afortunados ostentavam e concretizavam o sonho da “casa própria”. Participar da Aldeia Global, criada em 1965 com a chegada da “Rede Globo de televisão”, que alicerçada pela Ditadura Militar, consegue com suas novelas, programas humorísticos e Telejornais seguidos à risca os mandos dos censores, prenderem a atenção de todos, levando ao excluído a sensação de pertencer a um mundo a qual ele jamais acessará.
Com a prisão, exílio e morte dos maiores intelectuais-políticos e artistas brasileiros, e com a ofensiva da televisão, o país ficou irremediavelmente menos crítico e reflexivo. Ouviam-se cada vez mais músicas norte-americanas, inglesas, irlandesas, cuja a maioria das vezes nem se compreendia o título das canções.Enquanto na música brasileira, o que se ouvia era as baboseiras adocicadas da Jovem Guarda, ou duplas como Dom e Ravel, ovacionando a Ditadura com versos vendidos tais como: “Eu te amo meu Brasil, eu te amo/Meu coração é verde, amarelo, azul anil/ Eu te amo/Ninguém segura a juventude do Brasil.” A juventude mesmo, está sendo morta, na Guerrilha do Araguaia, nas sessões de tortura dos inúmeros DOI-CODIs espalhados pelo país inteiro.

O Auge da Ditadura
Esse ambiente de claro declínio cultural e político, ajuda a explicar o fracasso da luta armada como alternativa ao assalto de poder feito pelos militares apoiados pela CIA em 64, e reafirmados no poder em 13.12.68, com a edição do Ato Institucional n° 5, o golpe dentro do golpe, estava dando resultado.
      “ O Homo brasiliensis reproduzido pela máquina modernizadora do governo pós 64 ficou vazio de interesses culturais. Bibliotecas,exposições de arte,espetáculos de dança e música,teatros, produções massivas de livros e revistas, enfim,todas as formas de refinamento da expressão artística não foram mantidas no horizonte de aspirações públicas como prioritárias, segundo o planejamento socioeconômico posto em execução.
Na verdade, sequer contaram como atividades suplementares. Foram deslocadas para significar meramente formas ornamentais da vida.
 Extraída a dimensão política do cidadão, pouco restou para a área estética da cultura. Retirado do cidadão o acesso à consciência de si, ele ficou encarcerado, sem força objetiva para se libertar, pois somente na prática política a sua consciência  se desdobraria em ação libertadora.”¹

Seleção  Tricapeã Copa México 1970

O governo Médice paralisou a oposição, ampliando  a censura, a repressão política, e usando de forma  escancarada toda as medidas de arbítrio contra as liberdades individuais e mecanismos de justiça. Todos estavam amordaçados.
Mas o efeito devastador de Médice, sobre a oposição, residia em sua popularidade. Nas eleições parlamentares de 1970 e municipais de 1972, a ARENA(Aliança Renovadora Nacional) partido de apoio escandaloso à manutenção ditatorial, obteve vitórias esmagadoras sobre a tímida oposição feita pelo MDB(Movimento Democrático Brasileiro), que não conseguia transpor  o cerco da repressão política a seus quadros.


Cartaz do Filme "Pra Frente Brasil" 
A esquerda armada derrotada em 1973 no meio urbano e a Guerrilha na Floresta Amazônica esfacelada em início de 1974, dará tônica da ordem vigente. Povo emburrecido, educação  alienada e de valores burgueses, valores capitalistas embutidos via principalmente TV e sua programação pobre de conteúdo, cinema,livros e peças teatrais burlescas todos a serviço do entretenimento irresponsável e sem lastro social e cultural. O uso da máquina esportiva e dos símbolos antes populares como o samba, agora sendo usados para frear o desenvolvimento intelectual e crítico da população.
Com todos esses elementos a favor, em 40 anos teremos um país exaurido de valores esdrúxulos, que coisificam naturalmente: as mulheres; gostosas e burras, o negro; como pobre,desdentado e feio, o indígena; como o cara que atrapalha o progresso, os jovens sem perspectiva; os viciados que enfeiam os grandes centros, e os mais velhos;como vagabundos chatos que só querem viver às custas do Estado e os inconformados que não se renderam ao sistema, que pensam por conta própria, que se recusam a assimilar valores vindo da TV, os loucos do contra, os radicais que não fazem outra coisa a não ser falar de política.
O ser analfabeto, mesmo portando diploma de doutor está no controle...e a pergunta é...até quando?

Bibliografia

 ¹Lucas,Fábio.” A Crise da cultura Literária no Brasil Pós 64”,SP,Edusp,1994 Pg.135-136
Campos, Flavio de e Claro, Regina: A Escrita da História, Volume 3;Edições Escala Educacional S/A;SP,2010
www.wikiplédia.org: Rock no Brasil e o Rock Progressivo
Imagens: www.google.com

Por: Denise Oliveira, Janeiro/2013



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Aulas de História(Reforço)

Estou oferecendo aula de História para alunos do Ensino Fundamental, Médio ou Superior que estiverem com dificuldade em algum conteúdo.
Hora aula: R$ 25,00- terças e quintas manhã e tarde
Sábados-R$ 30,00
Posso ajudar também em monografias(TCC)- valor à combinar.
e-mail: denisehis@gmail.com

Denise Oliveira

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A História Negra do Papado


Vaticano, século XXI, nada mudou!





Sergio III [período do papado 897-911]: O Papa da Pornocracia
Filho de nobres romanos, o Conde do Túsculo, bispo do Cere, data de nascimento desconhecida: este é mais um Papa classificado como desgraçado e funesto. Chegou ao posto pela influência política-econômica da família Teofilacto. Ficou conhecido por ser o mandante do assassinato de outro Papa e por ter gerado um filho [com sua amante e irmã ilegítima, Marósia da família Teofilacto]. Anos depois, esse filho também seria Papa [Papa João XI  período do papado: 931-935]! 

O papado de Sergio III foi chamado de "Pornocracia" [segundo o historiador Liutprand de Cremona 922-972], com a sede do catolicismo entregue aos arbítrios das prostitutas [Liber pontificalis ou Livro dos Papas]. Naquela época, início do século X, um tempo chamado século de ferro, foi também a "era do poder das mulheres" na cena política e sócio-econômica dos reinos europeus que se definia a partir de Roma, na Itália. 
No pontificado de Sergio III quem mandava era matrona Theodora ─ A Maior, assessorada por suas filhas: Theodora, a Jovem e Marósia. Toda a linha de parentesco era escandalosa: Sergio era filho bastardo de Theodora e, portanto, irmão natural de Marósia, que tornou sua amante e com quem teve um filho que também veio a ser Papa [veja abaixo]. Quando fala das "prostitutas sem-vergonha" na sede da Igreja, o historiador Liutprand refere-se principalmente a estas mulheres, ricas e influentes.
Na acirrada disputa pelo papado, Sergio III foi eleito Papa [por uma facção da Igreja] em 897 mas o Papado estava, de fato, nas mãos de João IX e, depois da morte deste, Leão V. Assim, durante algum tempo Sergio foi uma espécie de Papa clandestino ou não legitimado, coisa muito comum na História dos Papas medievais e mesmo entre os Papas da Idade Moderna. Na Idade Média houve alguns Antipapas.
Sergio III chegou a ser excomungado pelo Papa João IX [898–900]. Somente conseguiu oficializar sua pretensão em 904, em Roma, quando o "Antipapa" Christopher [Cristóvão] acabava de ocupar o papado à força [entre 903 e 904]. A família Teofilacto reagiu obtendo a deposição do usurpador e reinvestiram Sergio III no cargo, em janeiro de 904. Sergio III ordenou a prisão dos rivais, Cristovão e Leão V [outro que disputava o lugar], instituiu um processo contra eles e condenou os dois à degola!

       
João XII[papado 955-964]:Estuprador de peregrinas e herege pagão:
Era o filho de uma relação incestuosa entre o Papa Sergio III e sua irmã natural, [ilegítima], Marósia [veja acima], que na época do parto tinha 15 anos. Em 963, o Imperador do Sacro Império Romano, Otto I [912-973, Alemanha], reuniu um conselho e fez várias acusações a este Papa: sacrilégio, simonia, perjúrio, assassinato, adultério, incesto. Ele excomungou seus juízes mas foi deposto assim mesmo.
João XII tinha ordenado um diácono em um estábulo; consagrou um menino de 10 anos Bispo de Todi em troca de dinheiro; mandou castrar e assassinar um cardeal; transformou o Lateran Palace [na época, residência Papal] em um bordel onde estuprava peregrinas; sodomizava crianças!
Roubava as doações que os fiéis entregavam à Igreja, erguia brindes ao Diabo e invocava a ajuda de Jove [Júpiter], Vênus e outros deuses pagãos quando estava jogando dados. Quando perdia no jogo pagava com o dinheiro da Igreja e prestava culto à deusa Cibele na colina do Vaticano. Consta que tornou-se amante da própria mãe, Marósia.




João XVI [período do papado: 985-996]: Distribuindo a Grana de Deus Com os Parentes!
O Papa venal [mercenário, desonesto] e nepótico tornou-se extremamente impopular perante os fiéis. Era público e notório: ele dissipava os recursos do Vaticano enchendo as bolsas dos parentes. Foi descrito como "ambicioso, comprometido com dinheiro sujo e corrupto em todos os seus atos". Ele foi deposto mas retornou ao posto de Papa quando Otto deixou Roma. Vingativo, o "religioso" mandou aleijar e mutilar todos aqueles que a ele se opuseram. Em 964, foi espancado pelo marido traído de uma de suas amantes. Morreu três dias depois sem direito a confissão ou receber sacramentos. 




Bento IX: Demônio, Assassino, Homossexual ─ Vendeu o Papado!
Um papado descontínuo, impensável nos dias atuais, ilustra bem a grande confusão política da época em torno da legitimidade das autoridades, fossem papas, príncipes ou reis. Seu nome de batismo era Theophylactus of Tusculum e assumiu pela primeira vez o papado quando tinha entre 12 anos de idade. Por isso, foi chamado de o Papa Criança sendo, o papa mais jovem da história da Igreja Católica e possivelmente, o mais maldito entre os malditos.
Sobre Bento IX, São Pedro Damião [1007-1072] comentou em Liber Gomorrhianus, um tratado sobre corrupção e sexo no papado: "...banqueteava-se na imoralidade... era um demônio do inferno disfarçado de padre". Era um ser bestial, bissexual e zoófilo, ou seja, mantinha relações sexuais com animais inclusive sodomizando os bichos!

O Papa Victor III [período do papado: maio de 1086 a setembro de 1087], em seu livro Dialogues, menciona "seus estupros, assassinatos e atos inconfessáveis. ...Sua trajetória como Papa... vil, execrável, abominável, nojenta". Na Enciclopédia Católica Benedito IX é descrito como "uma desgraça para a Cadeira de Pedro". O bispo Benno de Piacenza acusava-o de adultérios e assassinatos. 
Em 1044, ele vendeu! o Papado por uma boa quantia em dinheiro. Porém, no ano seguinte renunciou à renúncia e voltou a ocupar o cargo. Um mês depois, vendeu o cargo de novo! ─ por 650 quilos de ouro, desta vez, com o propósito de se casar! O comprador foi seu padrinho ou "pai espiritual", o padre John Gratian [muito pio, muito devoto, mas disposto a fazer tal negociata e rico o bastante para isso; assumiu o nome Gregório VI]. Mas Benedito IX não ficou longe do Lateran Palace [residência papal]: ele "tomou" a cidade, Roma, e "declarou-se" Papa outra vez.
A essa altura já havia mais de um Papa: além de Benedito, Gregório VI e Silvester III também reivindicavam para si a legitimidade do papado. A maioria dos fiéis reconhecia Gregório como verdadeiro Papa. Era uma disputa política na qual os reis intervinham para "fazer o Papa" garantindo, deste modo, o apoio popular dos cristãos-católicos.
O rei germânico [alemão] Henrique III [reinou entre 1039-1056] interferiu na questão e, no Concílio de Sutri [região do Lácio, província de Vieterbo Itália], dezembro 1046, tanto Benedito IX quanto Silvester III foram depostos e Gregório VI* foi "persuadido" a renunciar. Um novo pontífice foi escolhido: era o bispo alemão Suidger, Clemente II. Mas Clemente II morreu no ano seguinte. Benedito IX voltou ao ataque e conseguiu mais um brevíssimo período de papado de novembro de 1047 até julho de 1048, quando tropas alemãs expulsaram-no de Roma.
O bispo Poppo, conde de Brixen, foi eleito novo Papa e assumiu como Damasus II**. Em 1049, Benedito IX não compareceu ao julgamento onde seria julgado por simonia(tráfico de coisas sagradas ou espirituais). Foi excomungado; porém, mais tarde, o Papa Leão IX [papado: 1049-1054], que substituiu Clemente II, suspendeu as condenações contra Benedito IX. Apesar dessa "reintegração" ele não foi enterrado entre os Papas, na Basílica de São Pedro, mas na Abadia de Grottaferrata onde morreu, segundo registros, cumprindo penitência. A data de sua morte é incerta, situada entre 1065 e 1085.




Urbano II [1088-1099]
Em 1095 ele instituiu o callagium, uma taxa anual de liberação sexual, tributo pago ao Papado, que permitia aos "membros" do clero ter amantes! O efeito imediato mostrou que o clero: ou ia mal de finanças ou era composto de religioso avaros; as concubinas desapareceram e cresceu notavelmente a prática do homossexualismo nos monastérios e paróquias.





Anacletus [1130-1138]
Cometeu incesto com a irmã e muitas outras mulheres da família. Estuprava freiras.




  Inocêncio III [papado: 1198-1216]
Instituiu o método de interrogação para os suspeitos de sodomia. Para fazer confessar, os interrogados, obrigava-os a sentarem-se, encaixando-se nus em uma estaca de ferro em brasa.
Durante a Inquisição, esta página sombria da história da Igreja Católica, foi o Papa Inocência IV que aprovou o uso da tortura para obter confissões de heresia. Agressivo, ele acreditava que "os fins justificam os meios". E os meios eram os instrumentos de tortura aos quais foram submetidas milhares de pessoas, inocentes ou não [porque a tortura é barbárie instituída, sempre injusta mesmo com os culpados de qualquer crime]. Galileu, que foi julgado no pontificado deste Papa, teve bons motivos para renegar qualquer de suas teorias e até o próprio nome considerando a perspectiva dos interrogatórios mais "severos".




João XXII [papado: 1316-1334]
Excomungava até os religiosos, padres, clérigos amigos, se não pagassem as taxas!



Clemente VI [1342-1352]
Descrito por Petrarca como "um Dionísio eclesiástico com suas artimanhas infames e obscenas". Ele dormia com prostitutas e teve dúzias de amantes. Quando morreu, cinqüenta sacerdotes rezaram a missa pelo repouso de sua alma, última tentativa de livrar o Papa Clemente VI do inferno.




Pio II [1458-1464]
Foi um conhecido autor de literatura erótica e teve 12 filhos ilegítimos.





Paulo II [papado: 1464-1471]
Homossexual e sádico, gostava de ver homens nus sendo torturados. Consta que morreu de ataque do coração enquanto estava sendo sodomizado por um de seus rapazes favoritos.







Inocêncio VIII [papado: 1484-1492]
Gerou sete filhos ilegítimos e outras tantas filhas que ele reconhecia abertamente. Seu pontificado ficou conhecido como The golden Age of Bastards [Era de Ouro dos Bastardos]. Autorizou a Inquisição contra suspeitos de bruxaria. Em seu leito de morte, seu último desejo satisfeito: uma ama de leite; queria leite de mulher!





Alexandre VI [período do papado: 1492-1503]: Orgias & Nepotismo
Nascido Roderic Llançol ou Lanzol, em Valencia Espanha, trocou o sobrenome por Borja i Borja [em italiano Rodrigo Borgia] quando um Borja, seu tio, irmão de sua mãe, Alonso de Borja foi eleito Papa [Calisto III], em 1455. Era uma questão prestígio. Rodrigo seguiu a carreira eclesiástica. Foi bispo, cardeal e vice-chanceler da Igreja. Serviu à Cúria romana em cinco pontificados: Calisto III, Pio II, Paulo II, Sisto IV e Inocêncio VIII.
Adquiriu muita experiência administrativa e muitos bens. Bens que, disseram as más línguas, embora não seja provado, serviu para comprar o papado em 1492. Naquele conclave, depois da morte de Inocêncio VIII, havia três candidatos ao pontificado: além de Rodrigo Borgia, também foram cotados Ascanio Sforza e Giuliano della Rovere. Diz a lenda que Sforza saiu do conclave com quatro mulas carregadas de prata, preço do apoio que deu a Rodrigo. Quanto a Della Rovere, sua "campanha", que custou 300 mil ducados de ouro, teria sido financiada em 200 mil pelo rei da França e 100 mil, providenciados pela República de Gênova.
Sobre a eleição de Rodrigo Borgia, Giovanni di Lorenzo de Medici, que mais tarde se tornaria Papa Leão X, criticou a escolha e advertiu: "Agora estamos nas mãos de um lobo, um predador, um opressor como, talvez, jamais o mundo tenha visto igual. Se não fugirmos ele vai, inevitavelmente, devorar a nós todos". No começo, o pontificado de Alexandre VI encaminhava-se bem, com uma administração justa e ordeira. Porém, movido pela ambição, este Papa cercou-se de parentes, nomeando-os para cargos eclesiásticos, manobra que permitia engordar os cofres da família e aumentar sua influência político-econômica muito rapidamente.
Alexandre VI foi um daqueles Papas que jamais respeitaram a castidade exigida do sacerdócio católico: teve ao menos duas amantes conhecidas e muitos filhos: Girolama, Isabel e Pedro Luis, filhos de uma amante cujo nome se perdeu na história. Depois, quando ainda era cardeal, teve mais quatro, com Vannozza Cattanei: a famosa Lucrécia Bórgia [1480-1519], Cesar, Juan e Godofredo [ou Jofre]. Com uma terceira concubina, Julia Farnesio, teve mais dois herdeiros.
Todos os parentes, aderentes e apadrinhados receberam postos importantes. Ordenou cardeais: o filho Cesar Borgia com a idade de dezesseis anos; e os sobrinhos Francisco Borgia, Juan Lanzol de Borgia de Romani, dito o maior; o primo Juan Castellar y de Borgia; os sobrinhos-netos Juan Lanzol de Borgia de Romani, o menor; Pedro Luis de Borgia Lanzol de Romani, Francisco Lloris y de Borgia; e o cunhado de seu filho e cardeal! Cesar [que, portanto, teve uma mulher] Amanieu d'Albret.
A filha Lucrécia, dotada de grande beleza, foi um caso à parte. Colaborava para aumentar o poder do pai através do casamento. Assim, em 1493, aos 13 anos, ela desposou Giovanni Sforza em magnífica cerimônia realizada no Palácio do Vaticano. Quando Sforza deixou de ser politicamente interessante para os Borgia, o Papa-pai de Lucrécia tratou de articular o divórcio. A princípio, Giovanni Sforza recusou a separação e acusou Lucrécia de manter relacionamento incestuoso com o pai e o irmão Cesar. A força de ameaças, este marido acabou cedendo, confessou que era impotente, admitiu que o casamento jamais se consumara e o sacramento foi anulado. Ela ainda se casou mais duas vezes, sempre tendo em vista aliança política, com Alfonso de Aragon [Duque de Bisceglie] e Alfonso d'Este [Príncipe de Ferrara].
Teve inúmeros amantes e oito filhos. No último parto, morreram mãe e filha, em 1519.
O primogênito, Giovanni Borgia, gestado e tido em segredo no intervalo entre o primeiro e o segundo casamentos, suscitou comentários maliciosos. Sua paternidade tornou-se uma incógnita: foi atribuída a um amante dela, mensageiro de Alexandre VI, chamado Perotto. Mas corria a boca pequena que, na verdade, Giovanni era fruto de incesto, filho de Lucrécia com seu pai ou com seu irmão Cesar. Uma outra versão, dizia que Giovanni era filho do Papa com uma amante desconhecida ou, ainda, filho de Cesar. Assim, Giovanni poderia ter sido meio-irmão ou sobrinho de Lucrécia, escândalo em qualquer caso posto que Papa e cardeal traíram o voto de celibato. Nada discreto, Alexandre VI reforçou sua fama de devasso promovendo grandes festas que beiravam à orgia.

Cesar Borja
Lucrécia Boja



Papa Julio II [1503-1513]
Foi este que contratou Michelangelo para pintar a capela Sistina. Era pedófilo; ocupava muito de seu tempo na companhia de meninos e jovens michês [prostitutos].









Leão X [período do papado: 1513-1521]: Rachou a Igreja no Meio
Giovanni di Lorenzo de' Medici foi eleito papa em 1513. Adotou o nome Leão X. Ele se preparou para aquele destino: estudou teologia e direito canônico, foi bispo e cardeal e tornou-se famoso um comentário a ele atribuído quando alcançou o papado: Uma vez que Deus nos conferiu o pontificado, vamos aproveitá-lo. Festejou sua própria eleição com um exótico cortejo pelas ruas de Roma: desfilaram bobos, músicos e animais selvagens. Também ofereceu um jantar luxuoso durante o qual, um rapaz pintado de ouro e fantasiado com asas representava um anjo para os convidados. O jovem morreu envenenado pelo ouro. Promovia caçadas. Queria realizar construção da Basílica de São Pedro. 
Enfim, esvaziou os cofres do Vaticano. Na urgência de levantar dinheiro, teve a idéia de estimular a venda de indulgências. Aquilo logo se transformou em um comércio ultrajante complementado pela venda de relíquias de procedência quase sempre duvidosa. A "salvação" podia ser comprada nas bancas dos representantes de Deus! Os milagres podiam ser alcançados pela nem sempre módica quantia que pagava um pedaço da cruz de Jesus ou um dedo de João Batista.
A degradação do cristianismo, com o papa validando práticas muito próximas da superstição pagã, provocou revolta em meio ao clero europeu e ali surgiu a figura de Martinho Lutero, o homem que deflagrou a Reforma Protestante dividindo os fiéis cristãos do continente em duas facções rivais. Quando Lutero fixou suas 95 teses na porta da Igreja de Wittenberg, Leão XI emitiu uma bula, Exsurge Domini, em junho 1520, censurando o texto de Lutero e ameaçando-o com a excomunhão. Ameaçou e fez. O precursor da reforma protestante foi excomungado em 1521 e o cristianismo europeu perdeu sua unidade




Paulo III [1534-1549]
Mantinha um relacionamento incestuoso com a irmã. Para obter o controle da fortuna da família, matou, por envenenamento, vários parentes, incluindo a mãe e uma sobrinha. Matou dois cardeais e um bispo polonês para estabelecer um argumento sobre uma questão teológica. Ele foi, ainda, provavelmente, o maior cafetão que já existiu. Tinha uma lista de 45 mil prostitutas que pagavam tributo mensal ao papado.


  
       
Julio III [1550-1555]
Outro entre os homossexuais e incestuosos. Sodomizava adolescentes imberbes, entre os quais, o próprio filho ilegítimo. O famoso poema do Cardeal della Casa, In Praise of Sodomy [Louvor a Sodoma], foi dedicado e este Papa.
Prazer sexual desenfreado, glutonaria, ganância, incesto, apego ao dinheiro e ao poder. Um clero que longe de ser cristão é mais pagão que o pior dos pagãos, porque é um paganismo decrépito em degeneração. Será essa a legítima e verdadeira Igreja que Jesus Cristo fundou na Terra, sob a liderança de Pedro, o qual disse que seria a luz do mundo e que reinaria nela a paz e o amor? Serão esses os representantes do Deus vivo, santo e poderoso na Terra?
Traições, mortes, abusos sexuais fazem parte da realidade de instituições religiosas como a Igreja Católica há séculos e mesmo após perder muita força, ainda tenta impor doutrinamente suas crenças para a sociedade, seu modo de vida.
Sua estrutura em nada mudou, a hierarquia e burocracia fazem o mesmo papel de antes e nenhum de seus conceitos foram revistos no ambito social, apenas alguns pedidos de desculpas por erros cometidos no passado, e quando a sociedade ultrapassar seus paradigmas hoje, a Igreja Católica irá pedir novas desculpas pelo que faz hoje.

Aos religiosos da página, seja de qualquer religião , cuidado com as instituições que se dizem 'palavras de deus/deuses', pois a única coisa que eles querem é controle, e controle por medo, quaisquer objetivos políticos que eles possam ter, eles usarão os fiéis sem dó nem piedade.
"Sempre que a moralidade baseia-se na teologia, sempre que o correto torna-se dependente da autoridade divina, as coisas mais imorais, injustas e infames podem ser justificadas e impostas."



Copilado da página Lúcifer Cético
Por:Denise Oliveira, Janeiro/2013